Rio de Janeiro, 26 de Setembro de 2026

Revista britânica diz que Brasil desconfia dos propósitos de presidente colombiano

Um artigo na edição da revista britânica The Economist que chegou aos assinantes nesta sexta-feira afirma que o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, está tentando convencer os líderes da América do Sul de que a verdadeira ameaça à segurança da região são as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), e não os Estados Unidos. A reportagem trata do acordo militar entre o governo colombiano e os Estados Unidos e afirma que a notícia sobre a negociação “alarmou” os governos sul-americanos.(Leia Mais)

Sexta, 07 de Agosto de 2009 às 08:56, por: CdB

Um artigo na edição da revista britânica The Economist que chegou aos assinantes nesta sexta-feira afirma que o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, está tentando convencer os líderes da América do Sul de que a verdadeira ameaça à segurança da região são as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), e não os Estados Unidos. A reportagem, intitulada “Bazookas and Bases” ("Bazucas e bases"), trata do acordo militar entre o governo colombiano e os Estados Unidos e afirma que a notícia sobre a negociação “alarmou” os governos sul-americanos.

Segundo a Economist, o governo colombiano esperava que seus vizinhos “compartilhassem de seu ultraje” ao revelar que três lançadores de foguetes suecos vendidos à Venezuela em 1988 foram encontrados em um campo das Farc.

“Em vez disso, os líderes de Brasil e Chile parecem ter ficado do lado de Hugo Chávez ao expressar desconforto sobre um acordo pendente através do qual os EUA poderiam usar bases navais e aéreas da Colômbia”, afirma a reportagem.

De acordo com a revista, a reação dos líderes da região “frustrou” Uribe, que decidiu fazer um giro para tentar “persuadir” os colegas de que o acordo não representaria uma ameaça para a segurança da América do Sul e que essa ameaça seria representada pela guerrilha colombiana.

A Economist cita, ainda, as reações de diversos governos, entre eles o brasileiro, para afirmar que as “tensões no norte dos Andes irão persistir”. Isso porque, além das reações ao governo, tensões já existentes entre a Colômbia e o Equador e também a recente escalada na tensão entre o governo colombiano e a Venezuela poderiam, segundo a revista, contribuir para o conflito na região.

O artigo cita o ministro das Relações Exteriores da Colômbia, Jaime Bermúdez, que afirmou que “o acordo de cooperação é contra o tráfico de drogas, o terrorismo e outros crimes”. De acordo com a Economist, “enquanto não receber cooperação ativa de todos os seus vizinhos na luta contra as Farc e outros traficantes de drogas, a Colômbia vai concluir que deve confiar no apoio norte-americano”.

O acordo militar entre EUA e Colômbia, que ainda está em fase de negociação, poderá transformar o país latino-americano no reduto das operações militares norte-americanas na América do Sul. O acordo prevê o uso, pelo Exército americano, de três bases militares na Colômbia.

Soberania

O Brasil reconheceu a soberania da Colômbia no acordo com os Estados Unidos sobre o reforço de forças militares norte-americanas em bases colombianas, mas expressou desejo de que o tratado seja negociado com "transparência", afirmou o chanceler brasileiro, Celso Amorim, aos jornalistas. Segundo o ministro das Relações Exteriores, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ressaltou, em encontro com sua contraparte colombiana, Álvaro Uribe, na véspera, o propósito do Conselho de Defesa, que reúne países da região, para discutir a questão. Na avaliação do governo brasileiro esse é o melhor fórum para tratar o assunto, foco de tensões na região.

Segundo o presidente Lula, o grupo tem o objetivo de atuar na gestão do impasse e clima de confiança de forma a dirimir divergências "com tranquilidade e de maneira técnica".

Na saída do encontro com Lula, o presidente colombiano limitou-se a uma declaração de 40 segundos, em que saudou a imprensa e o povo brasileiro. Ao ser perguntado se participaria da próxima reunião da Unasul, apenas fez um gesto negativo com o dedo indicador. A próxima reunião está marcada para dia 10, no Equador. A Colômbia, no entanto, já havia informado que o presidente não participaria do encontro. Na semana na passada, Lula disse que o Conselho de Defesa Sul-Americano poderia ser convocado para tratar da questão durante encontro da Unasul.

Questionado se o Brasil exigiu garantias de que as operações se limitariam exclusivamente ao território colombiano, Amorim disse:

– E eu creio que isso será objeto de uma reflexão. Há uma sugestão (do Brasil) de uma transparência maior e temos que ver exatamente se isso satisfaz as nossas dúvidas ou não.

Ainda conforme o chanceler haverá mais conversas sobre o tema, sem especificar datas nem participantes. O combate ao narcotráfico, um dos objetivos do acordo militar Colômbia-EUA, foi discutido pelos dois chefes de Estado. Segundo Amorim, falou-se da importância de América do Sul assumir o combate ao narcotráfico "sem ingerência externa".

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