O ex-assessor do ministério da Casa Civil Waldomiro Diniz fez tráfico de influência em 2003, quando já trabalhava para o governo Luiz Inácio Lula da Silva, denuncia reportagem da revista Época. Há uma semana, a revista revelou que o funcionário da pasta dirigida por José Dirceu tratou, em 2002, com um bicheiro sobre propina e verba para campanha eleitoral de Rosinha Matheus, e dos petistas Benedita da Silva e Geraldo Magela.
Da publicação dessa denúncia até o momento, como destacou a revista, o governo tentava minimizar o impacto e ressaltava que a movimentação de Waldomiro datava de 2002 e, portanto, estava fora da atual gestão. Na época, ele presidia a Loterj, responsável pelas loterias do Rio de Janeiro. Agora, contudo, há sugestões de que ele supostamente continuou atuando irregularmente já no Planalto.
"Em 6 de janeiro do ano passado, recém-instalado no 4º andar do Palácio do Planalto, Waldomiro voltou a se reunir com Carlinhos Cachoeira. A dupla teve um encontro com dois diretores da multinacional Gtech, empresa que discutia a renovação de um contrato de US$ 130 milhões para operar as loterias da Caixa Econômica Federal", destaca a publicação.
Segundo Waldomiro, ele teria sido convidado para conversar com o bicheiro Carlinhos Cachoeira no Hotel Blue Tree Park, a 500 metros do Palácio da Alvorada, sobre um projeto que ele queria desenvolver. Os executivos da Gtech eram o presidente da empresa, Antônio Carlos Rocha, e o diretor de marketing, Marcelo Rovai. Waldomiro contou para a Época que esteve novamente com os dois no dia 31 de março, no mesmo hotel, desta vez sem a presença do bicheiro.
Em entrevista dada à rádio CBN nesta manhã, o presidente do PT, José Genoíno, disse que a nova matéria da revista Época não dá nenhuma prova de que houve irregularidade no encontro de Waldomiro Diniz, do bicheiro Carlinhos Cahoeira e dos diretores da GTech para discutir o contrato para operar as loteria da Caixa Econômica Federal.
Ontem, o Ministério Público pediu a quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônico de Waldomiro Diniz, com base em inquérito da Polícia Federal (PF), aberto em 2001, para investigar a conexão de bingos e agentes públicos e no qual o ex-assessor do Planalto aparece como suspeito de improbidade administrativa na Loterj.
Devido à crise política desencadeada pelo caso Waldomiro Diniz, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) teve na véspera queda de 4,77%, para o menor nível desde 16 de dezembro passado, e o dólar chegou a R$ 2,96, a cotação mais expressiva desde 3 de setembro de 2003.