Rio de Janeiro, 11 de Outubro de 2026

Reviravolta nas percepções: menos juros e mais crédito

Sexta, 12 de Agosto de 2011 às 05:03, por: CdB

Já se fala abertamente na redução dos juros no país. A tendência é que a Selic, que já se encontra em 12,5%, mude a trajetória e passe a cair. Esta semana vários jornais informaram que os agentes do mercado acreditam que o Banco Central brasileiro, a exemplo do que ocorreu nos EUA, será forçado a de reduzir juros daqui seis meses. Na prática, a taxa negociada entre os agentes do mercado para janeiro de 2013 (reflete os juros definidos em janeiro de 2012) já é de 12,25%.

"O Banco Central já deu uma indicação bem nítida de que vai parar de subir os juros. E agora, após a possibilidade de uma nova queda na economia global, há essa sensação de que ele pode reduzir os juros bem antes do que a gente imaginava,  já no primeiro trimestre do ano que vem", disse Alexandre Espírito Santo, do Ibmec-RJ, à Folha de São Paulo, resumindo a percepção do mercado.

É surpreendente convergência de opiniões sobre a necessidade da redução dos juros. Não é para menos. É  bom ter em mente o impacto que os juros têm sobre a dívida pública. O país paga o equivalente a 6,2% do PIB de juros da dívida interna, ou R$ 119,7 bi. O dobro do que o Brasil investe e gasta em educação por ano. É significativa, também, a recente compreensão sobre a importância do aumento do crédito para sustentar a atividade econômica.

Reviravolta no cenário

Redução de juros e mais crédito são conceitos que trazem uma reviravolta total no cenário em relação a algumas semanas atrás, quando toda pressão era para conter ainda mais o crédito, os gastos e aumentar os juros. Para os de sempre, a inflação era o grande problema da economia brasileira. Por aqui, sempre dissemos que os verdadeiros problemas eram a economia mundial, a inflação exportada para o Brasil, a desvalorização do dólar, e a guerra comercial e cambial.

Se confirmada, a redução dos juros não apenas incentivará os investimentos como melhorara as contas públicas, diminuindo os gastos com o serviço da dívida pública. E, se necessário, permitirá ao governo, ainda, fazer uso das reservas que detém (US$ 350 bi), do compulsório (R$ 420 bi) no tesouro nacional. Tudo para estimular a economia, particularmente a indústria, que será a mais afetada pela queda do comércio internacional e pela persistência do dólar desvalorizado no mundo.

Melhor: se a redução dos juros for consistente como deve ser, atrairá para o país mais capitais para investimento, como já vem acontecendo, e menos capitais especulativos. O movimento tenderá a reequilibrar o câmbio e minimizar a concorrência predatória que assistimos hoje pelo setor manufatureiro internacional, ávido pelos mercados emergentes, diante da estagnação econômica do velho mundo e nos Estados Unidos.

Ciclo de investimentos

É bom lembrar, ainda, que o ciclo de investimentos nos setores de energia, gás, petróleo, na infraestrutura do país garante nos próximos anos um crescimento superior a 4% ao ano e a criação de mais de 2,5 milhões de empregos anuais. É o bastante para sustentar a demanda e o consumo e atrair mais investimentos para o conjunto da economia. Isso será possível, desde que sejam estimulados por meio da redução dos custos financeiros, tributários e dos transportes e energia. O cenário é consistente mesmo com a queda dos preços das commodities e do comércio mundial, já que nossa economia - pela sua composição - pode e deve sustentar seu crescimento no mercado interno e numa revolução tecnológica e educacional.

Tags:
Edições digital e impressa