Guilherme Franco
Especial para o site da FPF
Artilheiro da Ponte Preta no Campeonato Paulista de 1992 sob o comando de Vanderlei Luxemburgo, Jucemar de Souza, de 40 anos, tenta trilhar o caminho do antigo comandante para levar o Jacareí ao título do Campeonato Paulista da Segunda Divisão. Paulistano nascido no bairro do Limão, Jucemar partiu jovem para o interior do estado, onde em Campinas atingiu o ápice de seu futebol.
Palavra de Técnico
Cada treinador tem a sua história, e todas diferentes. Vale a pena conferir!
Integrante de todas as categorias de base da Ponte Preta, Jucemar de Souza recebeu sua primeira oportunidade na equipe principal do clube campineiro com o treinador Vanderlei Luxemburgo. Ainda jovem, com apenas 19 anos, o atacante recebeu o respaldo de Luxa e não se intimidou nas partidas, marcando 12 gols no Campeonato Paulista. Devido às boas atuações no estadual, o artilheiro quase se transferiu para o São Paulo, mas a saída foi vetada pela direção da Ponte Preta na época.
Mantido em Campinas, o meia-atacante se transferiu pouco tempo depois, quando acertou com o Bragantino. O ex-atacante ainda vestiu as camisas de Mogi Mirim, Taubaté, Chapecoense (SC), Mirassol, Comercial e Mineiros (GO), onde encerrou a carreira por problemas pessoais. “Ao término de minha passagem em Goiás, decidi parar de jogar futebol, pois meu pai faleceu e minha família se desestruturou. Tinha uma oferta do Volta Redonda (RJ) em mãos, mas preferi prezar pela companhia dos meus familiares”, lembrou o técnico, sobre o fim de seu ciclo como atleta.
Após pendurar as chuteiras, Jucemar iniciou carreira como treinador de forma bastante inusitada. Sem muitas pretensões de se tornar um comandante profissional, ele abriu uma escolinha de futebol para garotos em Jacareí, onde acabou faturando diversos títulos no banco de reservas. Com as conquistas, sua fama chegou até o presidente do clube, Iedson Pereira, que o convidou a treinar a equipe no Campeonato Paulista da Segunda Divisão de 2009. De lá para cá foram duas boas participações no estadual, confirmando a aposta do mandatário.
FPF: Como foi estrear tão jovem e já se tornar o artilheiro da Ponte Preta no estadual?
Jucemar de Souza: Tenho um carinho muito grande pela Ponte Preta, pois atuei em quase todas as categorias de base do clube. Quando o professor Vanderlei me deu a oportunidade soube aproveitar e marcar muitos gols. Apesar de ser bem jovem, não me intimidei com os atletas que estavam no elenco e jogava com amor utilizando a camisa da Ponte.
FPF: Suas atuações no estadual de 1992 geraram interesse dos grandes clubes paulistas?
Jucemar de Souza: Quando acabou o Campeonato Paulista de 1992 era para ter ido para o São Paulo. O Telê Santana chegou a me ligar perguntando como estava minha situação contratual, mas os dirigentes quiseram me segurar em Campinas. Me lembro que em uma partida diante do São Paulo, conversei com o Raí e segundo ele, já estava tudo encaminhado para me apresentar no Morumbi.
FPF: Desde a época em que você subiu para os profissionais o Vanderlei Luxemburgo já demonstrava ser um técnico diferenciado?
Jucemar de Souza: Com certeza ele é um cara diferenciado. Em todos os treinamentos ele incentiva e cobra 100% dos atletas. Já trabalhei com diversos treinadores, mas o Vanderlei é único pela maneira como trabalha. Quem o olha de fora, acaba criando a imagem de uma pessoa arrogante, mas não imagina a pessoa boa e franca que ele é.
FPF: Ele é a grande inspiração para seu trabalho como técnico?
Jucemar de Souza: Não tenha dúvida disso. Tento aplicar todos os dias os ensinamentos dele na época de atleta. O Vanderlei era muito sincero diante dos atletas e dizia a todo momento para não inventar jogadas e saber fazer a leitura do jogo. Além de seus conselhos, procuro manter a mesma amizade que ele mantinha com o grupo. Esse relacionamento é essencial para colher frutos no futuro.
FPF: Como foi a decisão de abandonar a carreira após a morte de seu pai?
Jucemar de Souza: Sinto que ainda tinha condições de jogar mais alguns anos, mas nada era mais importante do que ficar com a minha família naquele momento. O falecimento do meu pai desestruturou a todos os entes queridos. Preferi me ausentar do futebol e não me arrependo de forma alguma dessa decisão, até pelo contrário, eu tenho muito orgulho.
FPF: Como um técnico de uma escolinha de futebol consegue chamar a atenção do time profissional do Jacareí?
Jucemar de Souza: A oportunidade de trabalhar na escolinha de futebol foi muito importante naquele período da minha vida, pois foi procedente da morte de meu pai. Recebi o convite de um amigo da cidade e topei treinar os garotos. A curiosidade é que vencemos quase todos os campeonatos que disputamos e nossa fama se espalhou por Jacareí. Logo em seguida, veio a proposta do presidente para comandar o time profissional em 2009, e eu aceitei sem refutar.
FPF: Você consegue enxergar um crescimento de produção do Jacareí desde 2009?
Jucemar de Souza: A cada ano que passa lutamos contra o mesmo problema, a falta de patrocínios. Apesar desse obstáculo, o Jacareí está melhorando sim. Esses bons resultados nos últimos anos foram importantíssimos para mim, porque presenciei uma satisfação pessoal do meu trabalho. Devo toda a minha carreira de técnico ao presidente Iédson Pereira que confiou no meu potencial.
FPF: Qual foi a história mais inusitada que você carrega nesses 40 anos com o futebol?
Jucemar de Souza: Houve uma época em que o Pepe era o treinador da Ponte Preta e ele vivia carregando um caderninho debaixo dos braços. Em um treinamento, pedi para ele me ensinar a chutar tão forte como ele. Ele anotava tudo naquela agendinha e certo dia ele me fez ficar chutando diversas bolas no gol para aumentar a força de meu arremate. Ele dizia que eu precisava arrancar o sangue da bola, pois se continuasse batendo daquela forma nunca teria um chute tão potente como era o dele.