Uma reunião secreta entre empresários, políticos e militares nas dependências das Forças Armadas da Argentina está preocupando o governo do presidente Néstor Kirchner, que tenta descobrir o que foi discutido ali.
O ministro da Defesa, José Pampuro, disse na segunda-feira a uma emissora de rádio que "a reunião existiu". "Fui até lá a pedido do presidente. Os que estavam jantando me disseram que festejavam o 25 de maio (aniversário da revolução argentina)".
O jornal Página 12 afirmou em sua edição de domingo que cerca de 70 pessoas se reuniram em segredo na quinta-feira, em um edifício do Exército em Buenos Aires. Segundo o jornal, participaram do encontro militares aposentados, políticos e empresários de meios de comunicação que se opõem ao governo.
"Mais que tudo preocupou (ao governo) a diversidade dos participantes e o fato de que eu desconhecia a realização desse jantar numa unidade militar, que é de responsabilidade do ministro da Defesa", explicou Pampuro.
O ministro chegou de surpresa à reunião e, segundo o Página 12, foi recepcionado por um grande silêncio.
Pampuro disse na segunda-feira que um dos participantes lhe disse, logo que ele chegou, que não se tratava de uma conspiração.
Durante seu governo, Kirchner derrubou a cúpula das Forças Armadas e a entregou a generais jovens, sem ligações com a geração que comandou a ditadura militar no país (1976-1983), quando desapareceram entre 9.000 e 30.000 pessoas.
A Argentina sofreu seis golpes militares durante o século 20.
Nos últimos dias, o presidente vem advertindo sobre o perigo de "interesses" que estão tentando usar todos os meios institucionais possíveis para atacá-lo.
"Trabalham para que voltem as velhas políticas, mas já não conspiram como faziam. Sabem que têm que trabalhar dentro da democracia e tentam agir dentro do Estado. Tentam desacreditar o presidente de qualquer modo", disse Kirchner numa entrevista publicada.