Depois de dois dias de conversas, terminou sem acordo a reunião entre o presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, e o atual presidente do país, Roberto Micheletti. A reunião, realizada em San José, na Costa Rica, foi mediada pelo presidente costarriquenho Oscar Arias. Segundo a rede britânica de TV BBC, não chegou a haver uma reunião conjunta entre Arias, Zelaya e Micheletti, que se reuniram separadamente com o chefe do governo da Costa Rica, pois os hondurenhos se recusaram a ficar frente a frente.
Porta-vozes de Zelaya e Micheletti admitem a possibilidade de retomada das negociações em breve. Contudo, alguns líderes latino-americamos acreditam que há poucas chances de progresso entre os dois presidentes. Para analistas, o que vai acontecer em Honduras depende das atitudes que os Estados Unidos tomarem em relação à crise. A ajuda de Washington ao país hondurenho já foi cortada, mas eles ainda não usaram todo o poder econômico e diplomático para tentar resolver a crise.
Zelaya já se reuniu com a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton. Micheletti também procurou se reunir com Hillary, mas não foi recebido. O presidente Barack Obama já se manifestou a favor da devolução do cargo presidente deposto. A crise política em Honduras começou depois que o presidente Zelaya tentou realizar um referendo sobre mudanças na Constituição. A oposição diz que isso permitiria a reeleição do presidente, que é proibida pela Constituição. Manuel Zelaya foi obrigado a deixar o país no dia 28 de junho, quando foi deposto.Seu mandato terminaria em janeiro do ano que vem
Novos golpes
O líder cubano Fidel Castro previu que a América Latina pode ser assolada por uma onda de golpes militares de Estado a menos que o presidente hondurenho, Manuel Zelaya, seja restituído ao poder depois de ter sido deposto no dia 28 de junho. Fidel disse, em uma coluna publicada na noite de sexta-feira em um site da internet dirigido pelo governo comunista de Cuba, que os líderes militares direitistas treinados pelos Estados Unidos podem ver-se encorajados a voltar às armas contra seus governos, dependendo do resultado da crise em Honduras.
"Se o presidente Manuel Zelaya não for reintegrado ao seu cargo, uma onda de golpes de Estado ameaça varrer muitos governos na América Latina, ou ficaram estes à mercê dos militares de extrema direita, educados na doutrina de segurança da Escola das Américas," escreveu.
Castro se refere à renomada escola militar norte-americana, na qual milhares de soldados e oficiais latino-americanos foram treinados desde os primeiros dias da Guerra Fria. Zelaya insiste em regressar ao poder porque crê que "o direito dos povos da América Latina de eleger os seus governantes" está em perigo. O substituto de Zelaya, Roberto Micheletti, disse que se o mandatário deposto voltar, será para enfrentar a Justiça, afirmando que o presidente violou a Constituição ao tentar eliminar os limites do mandato presidencial.
Representantes de Zelaya e Micheletti iniciaram negociações na Costa Rica para buscar uma solução à crise provocada pelo golpe de Estado. O aliado socialista mais próximo de Fidel, o presidente venezuelano Hugo Chávez, condenou as negociações e disse que o golpe deve ser revertido. Na sexta-feira, Chávez pediu a aplicação de um embargo comercial contra Honduras. Zelaya é um dos muitos líderes latino-americanos de tendência esquerdista que se aliaram a Chávez.
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, também pediu a restituição de Zelaya, mas apoia as negociações com a Costa Rica, mediadas pelo presidente costarriquenho, Óscar Arias, ganhador do prêmio Nobel da Paz. Fidel disse que Honduras é "um país ocupado pelas forças armadas dos Estados Unidos," devido a uma base militar norte-americana que permaneceu durante anos no país e que teve papel na luta contra as rebeliões esquerdistas da América Central durante a década de 1980.