Rio de Janeiro, 05 de Novembro de 2026

Reunião entre governo argentino e ruralistas termina sem acordo

Sábado, 29 de Março de 2008 às 10:10, por: CdB

Terminou sem acordo, na madrugada deste sábado, a primeira reunião entre representantes do governo argentino e ruralistas para negociar o fim dos protestos dos produtores, que completam 17 dias.

— Não tivemos a resposta esperada. O governo não está disposto a rever as ‘retenciones’ (aumento de impostos para o setor agrícola), que é nossa principal reivindicação, o motivo do nosso protesto —, disse Mario Llambias, presidente das Confederações Rurais Argentinas (CRA), ao final da reunião, que durou mais de cinco horas.

— E, pelo que entendi, os bloqueios voltarão às estradas. A trégua (dos bloqueios) era só durante a reunião com o governo —, afirmou.

Os protestos do setor rural foram provocados pelo anúncio de aumento dos impostos sobre as exportações agrícolas argentinas.

Nesta sexta-feira, depois de 16 dias de protestos, os produtores haviam suspendido temporariamente os bloqueios nas estradas, que provocaram longas filas de caminhões e desabastecimento nos supermercados em vários pontos do país.

Segundo Eduardo Buzzi, presidente da Federação Agrária, o objetivo da suspensão dos bloqueios era dar uma “trégua” enquanto fossem realizadas as negociações com o governo da presidente Cristina Kirchner.

Em um comunicado conjunto divulgado antes da reunião, as quatro principais entidades de produtores rurais da Argentina - Sociedade Rural, Coniagro, CRA e Federação Agrária - afirmaram que as estradas seriam liberadas, mas que o setor continuaria em “alerta” e “com mobilizações” na beira das rodovias.

Diálogo aberto

Participaram da reunião os líderes das quatro entidades de produtores, o ministro da Economia, Martín Lousteau, e o chefe de gabinete da administração federal, Alberto Fernández.

Ao final da reunião, Fernández disse, em entrevista à imprensa na Casa Rosada, sede da Presidência da República, que “o importante é que o diálogo foi aberto”.

Segundo o chefe de gabinete, foi marcada uma nova reunião para segunda-feira, na qual devem ser definidos os pontos de um plano de longo prazo para o setor agropecuário, com atenção especial aos pequenos produtores. 

— Não vamos necessariamente mudar essa medida, mas buscar mecanismos que garantam a rentabilidade do setor —, respondeu ao ser questionado se o governo poderia rever o aumento dos impostos à exportações.

Depois do fracasso da reunião, manifestantes da localidade de Gualeguaychú, na província de Entre Ríos, decidiram voltar a bloquear a estrada. Outra vez, caminhões foram impedidos de passar, e o trânsito seria liberado apenas para ônibus e automóveis até que surgissem novas propostas do governo.

Na entrevista, Fernández fez um apelo pela suspensão do bloqueio, que gera desabastecimento no país.

— Certamente existe alguma intransigência, mas espero que acabem com estes bloqueios, porque estamos numa etapa de diálogo —, afirmou.

— Esse governo quer que o agro tenha sua rentabilidade, principalmente os pequenos produtores —, disse.

Trigo

Fernández anunciou ainda a reabertura das exportações de trigo, após ouvir dos produtores rurais que há um excedente de produção.

— Concordamos com essa exportação, desde que sejam garantidos o preço e produção para consumo interno —, afirmou.

Fernández disse que será criada uma subsecretaria de Agricultura Familiar, como forma de atender aos pequenos produtores.

Segundo o chefe de gabinete, será encontrado um mecanismo para refinanciar dívidas de cerca de 4,5 mil agricultores, endividados desde a histórica crise que a Argentina viveu em 2001. As organizações rurais vão se reunir no fim de semana para definir se participam ou não da reunião desta segunda-feira.
 

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