A reunião do Diretório Estadual do PSDB de São Paulo, no sábado, transformou-se em um palanque de ataque ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Também foi fórum para reforçar a candidatura do governador Geraldo Alckmin à Presidência e para expor faixas conclamando Fernando Henrique Cardoso a disputar o governo de São Paulo.
O ex-presidente voltou a cobrar um rumo para a gestão petista, sua principal crítica desde que Lula assumiu o governo em 2003. "(O governo) é como um peru bêbado em dia de pré-natal", disparou Fernando Henrique para uma platéia de 2.000 militantes tucanos reunida no Palácio das Convenções do Anhembi.
Ele afirmou ainda que o PT quer abafar as denúncias de corrupção nos Correios, que envolvem o PTB, partido aliado do governo Lula. "Não estamos aqui para abafar. O outro partido é que está lá para abafar o que a rua já sabe", disse, referindo-se ao encontro da direção do PT, realizado no mesmo dia em São Paulo.
Fernando Henrique não se manifestou sobre as faixas em que aparecia como candidato a governador, mas disse que "a tarefa histórica nos chama mais uma vez" e citou, sem indicar nomes, que o PSDB tem cinco possibilidades para a candidatura à Presidência. "Vou ajudar na campanha", disse apenas.
O governador de São Paulo, recebido aos gritos de "Brasil urgente, Geraldo presidente", também se utilizou das denúncias contra os Correios para criticar o governo Lula.
"Nós vemos um quadro que nos preocupa.... O que nós vemos é um presidente que não manda, um governo que não funciona e o país assiste atônito a escândalos e denúncias."
Arrematou afirmando que o PSDB tem o "dever de trabalhar, suar a camisa para mudar este estado de coisas, para levar a cada rincão a mensagem da esperança", utilizando-se do principal slogan da campanha presidencial petista de 2002.
Mais direto, o prefeito São Paulo, José Serra, previu o retorno dos tucanos ao poder. "No ano que vem, vamos não apenas manter o governo do Estado de São Paulo, como vamos ganhar a Presidência da República."