Reunião de Paris sobre a Líbia vai focar política e economia
Por John Irish
PARIS (Reuters) - Líderes mundiais se reunirão em Paris na quinta-feira para discutir o futuro da Líbia. Os países patrocinadores do encontro, França e Grã-Bretanha, esperam mostrar que a campanha militar custosa possa conduzir a uma transição política que evite os erros cometidos no Iraque.
As grandes potências reunidas para coordenar a reconstrução política e econômica da Líbia, importante produtor de petróleo do norte da África, vão também entrar em conflito de interesses no país.
O conselho de transição da Líbia prometeu recompensar os países que assumiram posição de liderança no apoio à sua revolta contra o regime de Muammar Gaddafi.
"O objetivo é virar a página e ficar por trás da nova autoridade", disse uma fonte do governo francês.
"(Iraque) foi uma operação militar bem-sucedida, mas uma transição política fracassada. Nós temos de aprender com isso", acrescentou. "Nós temos de ficar junto ao Conselho Nacional de Transição (CNT), mas não impor nada a eles."
O presidente francês, Nicolas Sarkozy, e o primeiro-ministro britânico, David Cameron, serão os anfitriões da primeira conferência "Amigos da Líbia", que se realizará no dia em que Gaddafi iria celebrar o 42o aniversário do golpe militar que o levou ao poder.
Rússia e China, que não apoiaram a intervenção da Otan, liderada por Sarkozy e Cameron, em março, e ainda não reconheceram o conselho interino, estão entre as 60 nações e entidades internacionais representadas na conferência.
O encontro dará ao CNT, criado após o início da revolta anti-Gaddafi, em fevereiro, sua primeira plataforma internacional.
Empresas dos setores de energia, construção e telecomunicações estão ansiosas para saírem na frente na corrida para a reconstrução da Líbia depois de seis meses de conflito que pode pôr fim aos privilégios desfrutados pela Itália na era Gaddafi.
O presidente do CNT, Mustafa Abdel Jalil, abrirá a sessão de três horas com a apresentação dos planos do conselho para uma nova Constituição, eleições dentro de 18 meses e medidas para evitar o derramamento de sangue visto após a derrubada de Saddam Hussein, no Iraque.
O mais urgente para o CNT é ter acesso a recursos para pagar salários e obter os suprimentos humanitários. Vários países pediram ao Comitê de Sanções da ONU que libere bilhões de dólares em bens líbios que estão congelados.
Os Estados Unidos e os mais destacados países europeus da coalizão anti-Gaddafi enfrentam problemas econômicos, o que poderia desencorajar qualquer plano de deslocar dinheiro de contribuintes dessas nações ocidentais para a reconstrução da Líbia, mas as bases para a recompensa financeira no futuro estão sendo lançadas agora.
Reuters