Terminou sem acordo na terça-feira a reunião entre o presidente palestino, Mahmoud Abbas, e o ministro israelense da Defesa, Shaul Mofaz, para definir a data do começo da retirada das tropas de Israel de cinco cidades da Cisjordânia.
Mas ambos disseram que o começo da operação, adiada por causa de um atentado suicida no dia 25, deve acontecer nos próximos dias, dependendo apenas de detalhes.
"Nos próximos dias, vamos aparentemente transferir mais duas cidades após uma reunião dos comandantes militares amanhã. Estamos falando de Tulkarm e Jericó", disse Mofaz em entrevista coletiva, na qual qualificou de bem-sucedida a reunião com Abbas.
Mais tarde, à Reuters, Abbas disse que "os comitês vão começar a trabalhar amanhã, e já terminamos os preparativos com o lado israelense para a entrega de Tulkarm". O presidente palestino disse que os preparativos para a desocupação de Jericó, que vai ocorrer antes, começarão a ser definidos na quarta-feira.
Uma importante fonte palestina disse que ainda há divergências quanto à extensão da retirada das duas cidades, uma questão que será discutida pelos militares. "Ainda há problemas, os mesmos velhos problemas, sobre se os israelenses vão ou não retirar seus postos de controle destas áreas", disse a fonte.
Abbas chegou à reunião no posto fronteiriço de Erez depois de acusar Israel de prejudicar os esforços de paz, ao adiar o cumprimento de suas promessas relativas à devolução de Jericó, Tulkarm, Ramallah, Belém e Qalqilya.
Mofaz disse que reafirmou durante o encontro a exigência de Israel para que o novo líder palestino "tome os passos corretos para combater as atividades terroristas".
Desde o atentado de fevereiro, que matou cinco israelenses em Tel Aviv, Israel vem enfatizando seus apelos para que Abbas reprima os militantes em vez de tentar cooptá-los para uma trégua.
Na entrevista coletiva em Erez, Abbas, eleito em 9 de janeiro para o lugar de Yasser Arafat, disse que a Autoridade Palestina começou a cumprir suas obrigações de segurança há dois meses. "E continua a fazê-lo. Ela precisa de tempo e equipamento", afirmou.
Jericó deve ser a primeira cidade a ser desocupada porque a região é relativamente calma. A decisão foi adiada nas últimas semanas porque não houve acordo sobre a remoção dos postos de controle israelenses.
"A negociação não é só sobre cidades, mas sobre as áreas que cercam as cidades", disse Abbas na entrevista coletiva. "Se houver postos de controle prejudicando o movimento, eles devem ser removidos."
As cinco cidades palestinas da Cisjordânia agora em negociação já haviam passado ao controle da Autoridade Palestina depois do acordo de paz de 1993. Elas foram reocupadas após uma série de atentados palestinos em Israel, a partir de 2000. Atualmente, porém, não há forças israelenses nos centros das cidades, e os militares reduziram sua ação desde a cúpula de Abbas com o primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, no começo de fevereiro.