Rio de Janeiro, 03 de Novembro de 2026

RETROSPECTIVA 2007: Guerra urbana nas ruas e favelas do Rio

Sexta, 28 de Dezembro de 2007 às 13:11, por: CdB

O ano foi marcado pelo crescimento da violência urbana em metrópoles como o Rio de Janeiro. O governo que assumiu no dia primeiro de janeiro partiu para o enfrentamento e marcou a atuação policial por respostas às ações dos marginais nas principais favelas cariocas. A ação das forças policiais no complexo de favelas do alemão, no subúrbio da zona norte, simboliza a situação de guerra vivida na cidade.

A guerra entre policiais e traficantes no conjunto de favelas do Alemão, no subúrbio do Rio, teve início no dia 2 de maio, um dia após o assassinato de dois PMs no bairro de Bento Ribeiro, também no subúrbio, no mesmo lugar onde o carro com o menino João Hélio foi roubado, no dia 7 de fevereiro.  Pelo menos  42 pessoas morreram e 73 foram feridas nos confrontos. Foram 57 dias de confrontos. 

1ª Semana (2 de maio a 9 de maio):
O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, informou que a policia fazia uma operação na Vila Cruzeiro para capturar os responsáveis pelas mortes dos PMs Marco Antônio Ribeiro e Marcos André Lopes.
Três dias depois do anúncio e de uma série de tiroteios, três escolas, um Ciep e uma Creche da rede pública municipal fecharam. De acordo com a Secretaria municipal de Educação, cerca de 3.500 alunos ficaram sem aulas. No dia 6 de maio, a assessoria de imprensa do governo do Rio identifica como Vitor Souza Eusébio, de 21 anos, o morto num confronto entre traficantes e policiais militares. Ele levou um tiro na cabeça por volta de 14h40, segundo a nota oficial. Outras 12 pessoas feridas deram entrada no Hospital Getúlio Vargas. 

No dia 9 de maio, policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) encontram material para embalar drogas na localidade conhecida como Quatro Bicas. A primeira semana de confrontos na região termina com sete mortos e 32 pessoas feridas.


2ª Semana (10 de maio a 16 de maio):
O número de mortos sobe para 14 e o de feridos para 47 na segunda semana de confrontos. Em duas reuniões diferentes no dia 16, líderes comunitários da Vila Cruzeiro pediram ajuda para que a violência no local não se torne irreversível. O subprocurador-geral de Justiça dos Direitos Humanos, Leonardo Chaves, acertou uma visita à favela.
Em outra reunião, membros da Federação das Associações de Favelas do Estado do Rio de Janeiro (Faferj) se encontraram com representantes do Ministério Público.
No dia 10 de maio, policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope), da Coordenardoria de Recursos Especiais (Core) e policiais de diversos batalhões fizeram operação em favelas vizinhas à Vila Cruzeiro. O objetivo era localizar os assassinos dos dois policiais militares no dia 2 de maio.

 3ª Semana (17 de maio a 23 de maio):
O encontro de líderes comunitários com o subprocurador-geral de Justiça de Direitos Humanos, Leonardo Chaves, na Vila Cruzeiro, na Penha, Zona Norte do Rio, terminou de forma tensa no início do dia 23. Os disparos de fogos no alto do morro, supostamente um alerta de traficantes de que a polícia estava chegando ao local, assustaram os participantes do evento.
No mesmo dia, durante mais uma troca de tiros nas favelas da Grota e Nova Brasília, ambas no Alemão, uma mulher, de 56 anos, foi baleada na cabeça e dois policiais militares ficaram feridos quando a patrulha em que estavam foi atacada pelos criminosos.

4ª Semana (24 de maio a 31 de maio):
Os confrontos completam 30 dias. Um número cada vez maior de pessoas apresenta alto nível de estresse, dor de cabeça constante e em estado de depressão. Esse é o quadro transmitido por algumas das famílias dos mortos (17) e feridos (56) na guerra entre policiais e traficantes desde o dia 2 de maio.

No dia 30, a Secretaria de Segurança divulga um balanço parcial. De acordo com o documento, a polícia realizou dez prisões e retirou cerca de 150 toneladas de entulho usado para montar barricadas. 

 5ª Semana (01 de junho a

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