Domingo, 10 de Novembro de 2013 às 15:15, por: CdB
Avigdor Lieberman representa o conservadorismo israelense
O gabinete israelense aprovou, neste domingo, o retorno do líder de extrema-direita Avigdor Lieberman ao cargo de chanceler, após sua absolvição por acusações de corrupção, em um movimento que poderá complicar ainda mais as negociações de paz com os palestinos. Lieberman deixou o cargo no ano passado quando foi indiciado. Seu retorno ao posto, que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu havia mantido aberto para ele, provavelmente deve endurecer o tom da diplomacia israelense. Como chefe do partido de extrema-direita Yisrael Beitenu, que é aliado ao Likud, de Netanyahu, Lieberman tem sido sincero em seu ceticismo sobre as negociações patrocinadas pelos Estados Unidos retomadas em julho, depois de um impasse de três anos, dizendo que chegar a um acordo de paz permanente era impossível.
Na semana passada, Netanyahu pintou um quadro sombrio das negociações, dizendo que não tinham conseguido fazer progressos. O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, advertiu que Israel poderia enfrentar uma terceira revolta palestina se os esforços fracassassem. Um funcionário do governo israelense, que pediu para não ser identificado, afirmou que o gabinete aprovou a nomeação de Lieberman em sua reunião semanal, mas que a aprovação final necessária caberá ao Parlamento.
A rádio militar israelense considerou o retorno de Lieberman ao governo um "duro golpe" para o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, que desembarcou na região na terça-feira para tentar salvar as paralisadas negociações de paz entre Israel e palestinos. Os palestinos afirmaram que se recusam a continuar com as negociações enquanto Israel prosseguir com a colonização nos territórios ocupados. O governo israelense anunciou, neste domingo, licitações para construir quase 2 mil casas destinadas a colonos na Cisjordânia e Jerusalém Oriental.
A rádio militar recordou que Lieberman não acredita na possibilidade de acordo com os palestinos e não quer negociar com o presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas. Na política interna, após a absolvição, Lieberman poderia tentar disputar com Netanyahu a liderança dos setores mais intransigentes, contrários a qualquer tipo de concessão aos palestinos.
Em 24 de novembro, o partido ultranacionalista laico Yisrael Beitenu, liderado por Lieberman, vai decidir sobre uma possível fusão com o Likud de Netanyahu ou um afastamento. O Yisrael Beitenu tem 10 deputados dos 120 do Parlamento. O Likud tem 21. Em 14 de dezembro de 2012, um dia depois de seu indiciamento, Lieberman anunciou a renúncia com a esperança de ser absolvido e poder retornar ao governo.
Avigdor Lieberman era acusado de ter nomeado Zeev Ben, embaixador israelense em Belarus, para o posto de embaixador da Letônia em troca de informação policial confidencial em uma investigação contra ele. Ele sempre alegou inocência e prometeu abandonar o cargo se fosse condenado. Avigdor Lieberman nasceu na república soviética da Moldávia. Emigrou em 1978 para Israel, onde se filiou ao Likud, partido no qual chegou à cúpula do poder, antes de criar em 1999 o próprio partido nacionalista. Nos anos 2000 fez declarações polêmicas, como a que defendeu o bombardeio da represa de Asuan para inundar o Egito – o primeiro país árabe a assinar um acordo de paz com Israel – em caso de apoio à Intifada palestina.
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