A decisão italiana de começar a retirar suas tropas do Iraque ainda neste ano não tem relação com a morte de um agente secreto baleado por forças norte-americanas, disse a Casa Branca na terça-feira.
O primeiro-ministro Silvio Berlusconi, que tenta contornar a reação popular à morte do agente Nicola Calipari, atingido pelos militares dos EUA logo depois de resgatar uma refém, disse que a Itália vai começar a retirar suas tropas do Iraque em setembro.
O porta-voz da Casa Branca, Scott McClellan, disse que esses comentários são semelhantes ao que Berlusconi fez na semana passada ao Senado italiano.
Questionado sobre uma eventual ligação entre a retirada e o incidente com Calipari, McClellan disse que não recebeu informações nesse sentido das autoridades italianas.
- Não tenho certeza de que haja uma conexão aqui - afirmou.
Os EUA prometeram investigar a fundo o incidente de "fogo amigo" que resultou na morte de Calipari e em ferimentos na jornalista Giuliana Sgrena, que acabava de ser libertada e se dirigia ao aeroporto de Bagdá.
A Itália mantém 3.000 soldados no Iraque. É o quarto maior contingente estrangeiro no país, depois das forças dos Estados Unidos, Grã-Bretanha e Coréia do Sul. McClellan disse que a retirada italiana não deve afetar as operações militares no Iraque.
- Se você olhar para o que ele Berlusconi disse na semana passada e para o que ele tornou a dizer hoje, isso será baseado na habilidade e na capacidade das forças iraquianas e do governo iraquiano em assumirem mais responsabilidades, e ele vai trabalhar de comum acordo com aliados na região antes de dar certos passos - disse McClellan.
- E nós certamente apreciamos as contribuições dos italianos. Eles serviram e se sacrificaram ao lado dos iraquianos e ao lado das outras forças da coalizão - afirmou.