Rio de Janeiro, 21 de Outubro de 2026

Retirada de quartel-general foi 'medida tática', diz Khadafi

Terça, 23 de Agosto de 2011 às 17:50, por: CdB

Rebeldes pisam em estátua durante invasão do QG de Khadafi

Fortaleza na capital líbia foi invadida após horas de batalha.

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O líder líbio, Muamar Khadafi, disse nesta terça-feira, em uma entrevista de rádio, que a retirada do seu quartel-general foi uma "medida tática", e que resta a seus aliados vencer os rebeldes ou "morrer como mártires". Enquanto isso, ataques com mísseis e tanques foram registrados na capital, Trípoli, e em outras localidades.

O pronunciamento de Khadafi, feito a uma rádio local, ocorreu horas depois que os insurgentes contrários ao seu regime invadiram o complexo governamental de Bab al-Azizia, uma das poucas áreas que aparentemente ainda estavam sob controle do governo na capital. O paradeiro de Khadafi ainda é desconhecido.

Na entrevista, reproduzida pela rede de TV Al-Urubah (favorável ao regime), o líder líbio disse que o seu quartel-general foi arrasado por 64 ataques aéreos conduzidos pela Otan, que realiza bombardeios em território líbio em cumprimento de uma resolução do Conselho de Segurança da ONU.

Em entrevista concedida à mesma TV Al-Urubah, o porta-voz do governo de Khadafi, Moussa Ibrahim, ameaçou transformar a Líbia em um "vulcão em erupção e uma chama sob os pés dos invasores".

Ibrahim afirmou ainda que 6,5 mil voluntários haviam entrado em Trípoli "nas últimas seis horas", estando espalhados "em todas as ruas de Trípoli". O porta-voz disse que o regime de Khadafi ainda estava controlando 80% da capital.

Enquanto isso, dezenas de disparos de mísseis e morteiros foram registrados em Trípoli, de acordo com o relato de testemunhas à rede de TV árabe Al-Arabiya.

A mesma emissora afirma que a cidade de Ajelat, a oeste da capital, foi alvo de ataques de mísseis e de tanques por parte das forças leais a Khadafi.

Membros do CNT já preparam transferência para Trípoli, onde povo comemora queda do regime

Disparos de mísseis também foram realizados contra a cidade de Misrata, sob controle dos insurgentes, no oeste do país.

A correspondente da BBC em Trípoli Rana Jawad diz que existe um sentimento sincero de que o regime de Khadafi chegou ao fim, mas que as comemorações começaram de verdade somente quanto ele e sua família forem encontrados.

Jawad afirma ainda que os comentários do porta-voz do governo, embora sejam provavelmente exagerados, ainda podem causar medo em Trípoli, já que muitas pessoas ainda temem que Khadafi esteja planejando um contra-ataque de grandes proporções.

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Comemorações

No anoitecer, centenas de pessoas foram à Praça Verde, no centro da capital, para comemorar a suposta queda de Khadafi. Rebeldes atiram para o alto, celebrando a tomada do complexo governamental, onde a bandeira verde do regime foi substituída pela tricolor, dos rebeldes.

Mais cedo, a agência russa Interfax afirmou que o líder líbio, coronel Muamar Khadafi, conversou nesta terça-feira por telefone com um integrante do governo russo, afirmando que está bem, em Trípoli, e que não pretende deixar a Líbia.

Khadafi não é visto em público desde maio, e seu paradeiro é alvo de inúmeras especulações, assim como o de seus familiares.

Nessa segunda-feira, forças rebeldes anunciaram a prisão de três filhos de Khadafi. No entanto, no fim do dia, Saif-al-Islam, considerado o número dois do regime, reapareceu e falou com jornalistas estrangeiros. Ele disse que as forças leais a seu pai ainda estavam no controle de Trípoli.

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Invasão

Após controlar a maior parte de Trípoli, as forças rebeldes romperam nesta terça-feira o cerco ao quartel-general de Khadafi.

Uma fonte rebelde disse que toda a superfície do complexo está sob controle das forças opositoras. Especula-se, no entanto, sobre a existência de abrigos subterrâneos no local.

A bandeira verde do regime já foi substituída pela tricolor dos rebeldes no QG de Khadafi em Trípoli

Horas antes da invasão, dezenas de picapes cheias de combatentes rebeldes entraram em Trípoli e partiram para um ataque maciço ao quartel-general. As forças rebeldes já haviam anunciado que a invasão era a prioridade nesta terça-feira.

Os rebeldes líbios saqueram o complexo, carregando pinturas, objetos ornamentais, uma geladeira e até taças de cristal, segundo relato do chefe do escritório da BBC no Oriente Médio, Paul Danahar, que entrou no local.

Um busto de Khadafi também foi arrancado de sua base e a cabeça da estátua foi chutada. Cartazes com imagens do líder líbio foram destruídos pelos rebeldes.

Além de Trípoli, a cidade portuária de Las Ranuf tem sido palco de enfrentamentos nesta terça-feira.

Julgamento

Enquanto Trípoli parece ser inteiramente tomada pelos opositores, membros do Conselho Nacional de Transição (CNT), baseado em Benghazi, já se preparam para a transferência para a capital líbia.

O porta-voz do Conselho, Hany Hassan Soufrakis, disse à BBC que o sistema judiciário da Líbia não está preparado para um eventual julgamento de Khadafi e que o juízo deve ocorrer no Tribunal Penal Internacional, em Haia, na Holanda.

Courtenay Griffiths, que defendeu o ex-presidente da Libéria Charles Taylor no TPI disse à BBC que um eventual julgamento de Khadafi não deve ocorrer antes de quatro ou cinco anos.

O CNT já é reconhecido como governo interino pelos Estados Unidos e por vários países da Europa e do mundo árabe.

CNT já é reconhecido como governo interino por países árabes, europeus e pelos EUA

Nigéria, Marrocos, Iraque, Grécia, Egito e Bahrein reconheceram nesta terça-feira o Conselho como governo interino.

Destoando da posição da maioria dos países, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse que continuará reconhecendo Khadafi como líder legítimo líbio, expressando solidariedade ao "povo bombardeado da Líbia".

Brasil

O ministro de Relações Exteriores, Antonio Patriota, disse nesta terça-feira que o Brasil aguardará a posição da ONU para decidir se reconhecerá a soberania dos rebeldes líbios.

Patriota afirmou que não teme por represálias dos rebeldes às empresas brasileiras que atuam na Líbia.

Companhias como a Odebrecht, Queiroz Galvão e Petrobras têm investimentos no país árabe e aguardam o desenlace dos conflitos para definir ações futuras.

Segundo ele, o embaixador do Brasil no Egito, Cesário Melantonio Neto, obteve garantias dos rebeldes de que os contratos firmados pelas companhias brasileiras durante o governo de Khadafi serão honrados.

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