Rio de Janeiro, 03 de Setembro de 2026

Resultados de vacina experimental contra a Sars anima médicos

Sexta, 05 de Dezembro de 2003 às 00:09, por: CdB

Médicos dizem que estão animados com os primeiros resultados do protótipo de uma vacina experimental contra a Sars (Síndrome Respiratória Aguda Grave), afirmando que ela ativou as defesas imunológicas de um grupo de macacos inoculados com o vírus.

Seis macacos resus que tomaram a vacina e receberam 28 dias depois uma dose da vacina tiveram uma forte resposta de seu sistema imunológico -- anticorpos e células T, segundo o estudo.

Dois primatas que tomaram um placebo não mostraram resposta.

Os resultados são encorajadores, mesmo havendo um longo caminho a percorrer, tanto nos testes de laboratório quanto em animais, disseram seus inventores.

A vacina experimental foi criada por Andrea Gambotto, da Escola de Medicina da Universidade de Pittsburgh, e colegas desta universidade e do Centro Americano para o Controle e Prevenção de Doenças.

Eles alteraram geneticamente um adenovírus -- causador da gripe comum -- a fim de que partes dele ficassem parecidas ao chamado coronavírus, causador da Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars).

A força da resposta imunológica variou de acordo com o animal, mas aumentou significativamente depois da dose de reforço. No entanto, os animais vacinados ainda precisam ser expostos ao vírus da Sars para ver se a fórmula funciona.

- Estes resultados mostram que uma vacina pode induzir fortes respostas imunológicas específicas para a Sars no macaco -  concluiu a equipe de Gambotto em artigo que será publicado na edição deste sábado do semanário médico britânico The Lancet.

- Eles se comprometem ao desenvolvimento de uma vacina contra o agente causador da Sars - continuou. Acredita-se que a Sars tenha surgido no sul da China no final de 2002.

Similar à pneumonia, a doença matou 774 pessoas em todo o mundo e deixou mais de oito mil doentes antes de se atenuar em meados do ano, graças a uma forte prevenção, na ausência de uma vacina ou da cura.

Esta carência incitou o surgimento de pesquisas farmacêuticas.

Cientistas canadenses liderados por Brett Finlay, professor de microbiologia da Universidade da Columbia Britânica, disseram que o grupo está a menos de um ano da testagem de uma vacina contra a Sars em humanos e a 18 meses de disponibilizá-la amplamente, caso funcione.

Este prazo é um recorde frente ao normal, de oito a dez anos.

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