Médicos dizem que estão animados com os primeiros resultados do protótipo de uma vacina experimental contra a Sars (Síndrome Respiratória Aguda Grave), afirmando que ela ativou as defesas imunológicas de um grupo de macacos inoculados com o vírus.
Seis macacos resus que tomaram a vacina e receberam 28 dias depois uma dose da vacina tiveram uma forte resposta de seu sistema imunológico -- anticorpos e células T, segundo o estudo.
Dois primatas que tomaram um placebo não mostraram resposta.
Os resultados são encorajadores, mesmo havendo um longo caminho a percorrer, tanto nos testes de laboratório quanto em animais, disseram seus inventores.
A vacina experimental foi criada por Andrea Gambotto, da Escola de Medicina da Universidade de Pittsburgh, e colegas desta universidade e do Centro Americano para o Controle e Prevenção de Doenças.
Eles alteraram geneticamente um adenovírus -- causador da gripe comum -- a fim de que partes dele ficassem parecidas ao chamado coronavírus, causador da Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars).
A força da resposta imunológica variou de acordo com o animal, mas aumentou significativamente depois da dose de reforço. No entanto, os animais vacinados ainda precisam ser expostos ao vírus da Sars para ver se a fórmula funciona.
- Estes resultados mostram que uma vacina pode induzir fortes respostas imunológicas específicas para a Sars no macaco - concluiu a equipe de Gambotto em artigo que será publicado na edição deste sábado do semanário médico britânico The Lancet.
- Eles se comprometem ao desenvolvimento de uma vacina contra o agente causador da Sars - continuou. Acredita-se que a Sars tenha surgido no sul da China no final de 2002.
Similar à pneumonia, a doença matou 774 pessoas em todo o mundo e deixou mais de oito mil doentes antes de se atenuar em meados do ano, graças a uma forte prevenção, na ausência de uma vacina ou da cura.
Esta carência incitou o surgimento de pesquisas farmacêuticas.
Cientistas canadenses liderados por Brett Finlay, professor de microbiologia da Universidade da Columbia Britânica, disseram que o grupo está a menos de um ano da testagem de uma vacina contra a Sars em humanos e a 18 meses de disponibilizá-la amplamente, caso funcione.
Este prazo é um recorde frente ao normal, de oito a dez anos.
Resultados de vacina experimental contra a Sars anima médicos
Sexta, 05 de Dezembro de 2003 às 00:09, por: CdB