Rio de Janeiro, 04 de Novembro de 2026

Resultado mais fraco na balança comercial não impressiona economista

A balança comercial brasileira (exportações menos importações) fechou o ano de 2007 com superávit de US$ 40 bilhões. O resultado é 13,8% menor do que o superávit de 2006, que foi de US$ 46,4 bilhões. (Leia Mais)

Quarta, 02 de Janeiro de 2008 às 11:21, por: CdB

A balança comercial brasileira (exportações menos importações) fechou o ano de 2007 com superávit de US$ 40 bilhões. O resultado é 13,8% menor do que o superávit de 2006, que foi de US$ 46,4 bilhões. Em 2007 as exportações chegaram a US$ 160,6 bilhões e as importações totalizaram US$ 120,6 bilhões. Os dados foram divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

Apesar do superávit menor do que o do ano anterior, em 2007 as exportações apresentaram um crescimento de 16,6% em relação a 2006 e as importações, de 32%. O mês de dezembro de 2007 teve superávit de US$ 3,6 bilhões, com US$ 14,2 bilhões de exportações e US$ 10,6 bilhões de importações.

Economia em crescimento

Os últimos dados sobre a balança comercial não impressionaram o economista e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Rogério Sobreira. Em entrevista, nesta quarta-feira, ele avalia que as perspectivas da economia brasileira para o ano que se inicia são “bastante auspiciosas”.

- Os investimentos estão crescendo fortemente, o Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), que tende a ser preservado a despeito da não aprovação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), e a preocupação do governo em investir em infra-estrutura, especialmente em energia. Esses são os fatores bastantes positivos - afirmou.

Sobreira, no entanto, manifestou preocupação quanto a incertezas no mercado internacional.

- O cenário externo ainda não está resolvido, não sabemos exatamente qual a  dimensão da crise que estamos vivendo hoje - disse.

Ele ressalvou que, embora o Brasil exporte principalmente para a Europa e não para os Estados Unidos, que é o foco da  crise, a Europa tenderá a sofrer os efeitos. "A gente não sabe quais serão esses efeitos, quanto tempo isso vai durar, qual a magnitude deles".

O economista também avalia que o país poderia estar mais seguro caso a performance econômica dos últimos anos tivesse sido melhor. Sobreira citou como um dos entraves para a economia brasileira o política "conservadora” do Banco Central.

- Se a política monetária  tivesse sido um pouco mais flexível, provavelmente a gente teria tido uma  taxa de crescimento maior, sem que isso implicasse numa inflação maior. Mesmo não nos patamares chineses, que têm alcançado 10% nos últimos anos, mas seguramente maior do que os temos alcançado - afirmou.

Ele diz, ainda, que uma política para investimento é a única forma que há para garantir a absorção da capacidade ociosa e a confiança na economia:

- É importante que os sinais do governo sejam bastante claros nesse sentido - um programa como o PAC deslanchando e um Banco Central que opere alinhado com essa política. Aí teremos o consumo interno crescendo por meio de política social e de crédito.

Ele acrescentou que é imprescindível a criação de um ambiente favorável, no qual o empresário tenha a possibilidade de calcular o retorno de seu investimento para realizá-lo.

- Se temos incertezas externas, como está acontecendo, e internas, por meio de política interna de política de juros que você não sabe o que é, aí teremos o pior dos mundos. Eu acho que devemos apostar na politica de juros sem ter medo de inflação de demanda - concluiu.

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