O presidente do Instituto Nacional de Estatísticas e Pesquisas da Educação (Inep), Raimundo Luiz Araújo, divulgou nesta quinta-feira o resultado do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) deste ano.
O exame foi aplicado no dia 31 de agosto em 605 municípios do país e contou com a participação de 1,3 milhão de estudantes, que fizeram uma prova objetiva com 63 questões de múltipla escolha e uma redação.
A nota média na prova objetiva foi 49,5 e na redação, 55,3. Na objetiva, a nota de 44% dos alunos foi de regular a bom, de 35,7% de insuficiente a regular e de apenas 15% de bom a excelente. Na redação, 72% tiveram nota de regular a bom.
O resultado da prova mostra as desigualdades regionais na formação escolar. Entre os estudantes da região Sul, 56% têm 17 anos ou menos, idade ideal para o fim do ensino médio. No Sudeste, o percentual de alunos nessa faixa de idade cai para 37%; no Centro-Oeste, para 34%; e no Norte, para 23%.
A região Nordeste vem em último lugar, com apenas 19% dos alunos nessa etária. Ou seja, a grande maioria dos alunos no Nordeste que fizeram a prova tem idade acima do ideal para concluir a oitava série.
A prova também revela o impacto da situação sócio-econômica no perfil dos alunos. A nota média de um estudante com renda familiar de até um salário-mínimo foi de 37,5, enquanto a dos alunos cuja família tem renda acima de 30 salários foi de 70,4. Também aparecem diferenças entre negros e brancos no resultado da prova.
Os estudantes negros da rede pública tiraram nota média de 42,7, contra 47 dos brancos. Mesmo na escola particular a diferença aparece, com o aluno negro tirando nota média de 56 e o branco, de 65. Segundo o presidente do Inep, isso mostra que apenas o acesso escolar não é suficiente para acabar com a herança da discriminação racial.
Sobre o futuro do Enem, Raimundo Luiz Araújo disse que o governo está fazendo estudos para redefinir os instrumentos de avaliação do ensino médio, mas assegurou que a prova vai continuar sendo feita porque serve como instrumento de avaliação e como forma de acesso à universidade.
Segundo ele, o governo deve definir futuramente qual será o foco do exame, se o acesso à universidade ou a avaliação do aluno propriamente.
Resultado do Enem mostra desigualdade na formação escolar
Quinta, 20 de Novembro de 2003 às 15:07, por: CdB