Rio de Janeiro, 29 de Agosto de 2026

Resultado de DNA de vítimas do AF 447 sai em seis dias

Os resultados dos testes que tentam extrair o DNA dos ossos das duas vítimas retiradas dos destroços do voo AF 447 da Air France deverão ser conhecidos na próxima quarta-feira, segundo um procurador francês. Se os resultados forem negativos, nenhum outro corpo será retirado do fundo do mar.

Quinta, 12 de Maio de 2011 às 07:46, por: CdB
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Os resultados dos testes que tentam extrair o DNA dos ossos das duas vítimas retiradas dos destroços do voo AF 447 da Air France deverão ser conhecidos na próxima quarta-feira, segundo um procurador francês. Se os resultados forem negativos, nenhum outro corpo será retirado do fundo do mar, disse nesta quinta-feira Jean Quintard, procurador-adjunto do Tribunal de Grande Instância de Paris. – Se não for possível extrair o DNA e identificar os corpos, será inútil resgatá-los –, disse Quintard a jornalistas, na sede do Escritório de Investigações e Análises (BEA, na sigla em francês), após a chegada das duas caixas-pretas do avião a Paris.  – Os corpos ficaram quase dois anos a 3,9 mil metros de profundidade e a natureza seguiu seu curso. Existem incertezas em relação à possibilidade de se conseguir extrair o DNA ósseo nessas condições –, afirmou o coronel François Daust, do Instituto de Pesquisas Criminais da Polícia Militar francesa, que conta com especialistas e legistas a bordo do navio utilizado no resgate dos corpos. Os testes estão sendo realizados por um laboratório privado francês. Para extrair o DNA dos corpos, os especialistas devem utilizar ossos grandes, como o fêmur ou a tíbia. Troca de tripulação Na sexta-feira, o navio Île de Sein deixará a área de buscas, situada a cerca de 1,1 mil quilômetros da costa brasileira, e retornará a Dacar, no Senegal, para efetuar a troca da tripulação, que será reforçada com mais quatro especialistas do Instituto de Pesquisas Criminais. O navio deverá sair de Dacar no dia 18 e chegar à área de buscas por volta do dia 21 de maio. No entanto, dependendo dos resultados dos testes para tentar extrair o DNA dos dois corpos já resgatados, os investigadores poderão nem retornar ao local onde foram localizados os destroços. As caixas-pretas serão abertas na tarde desta quinta-feira na França. Com isso, os investigadores franceses poderão saber até o fim desta semana se os dados contidos no equipamento foram preservados e poderão ser analisados. A informação foi dada por Jean-Paul Troadec, diretor do Escritório de Investigações e Análises (BEA, na sigla em francês), que apura as causas do acidente que matou 228 pessoas. As duas caixas-pretas, que ficaram quase dois anos submersas no Atlântico a 3,9 mil metros de profundidade, chegaram na manhã desta quinta-feira a Paris por avião, vindas da Guiana Francesa. Elas foram apresentadas à imprensa ainda nos recipientes plásticos transparentes contendo água doce e que foram selados, com um carimbo de cera, por se tratarem de provas em uma investigação judicial. Procedimento Tidas como fundamentais para se desvendar as causas da catástrofe, as caixas-pretas serão abertas na tarde desta quinta-feira na sede do BEA, em Le Bourget, nos arredores de Paris, na presença de um oficial da polícia judiciária. Segundo o BEA, o primeiro passo será limpar e secar o equipamento, o que deve levar dois dias, antes que se possa tentar extrair os dados contidos nos cartões de memória das caixas-pretas, o que pode ocorrer até o fim desta semana. Esse processo todo pode levar cerca de quatro dias se os microchips internos, que contêm os parâmetros técnicos do voo e as conversas dos pilotos ou qualquer outro som emitido na cabine, não tiverem sofrido corrosão ou outro tipo de dano. Nesse caso, os cartões de memória serão ligados a um aparelho decodificador, para que os dados sejam lidos.O procedimento seria semelhante ao utilizado em um leitor de DVD. Mas se os microchips tiverem sofrido desgastes, os investigadores poderão levar semanas para ler as informações. Isso porque será necessário reconstituir o conjunto de dados, acessando cada um dos cartões de memória das caixas-pretas usando técnicas sofisticadas, afirma Troadec. Processo filmado Depois que os dados forem extraídos, os especialistas começarão a analisar as informações que deverão explicar as circunstâncias exatas do acidente com o avião da Air France que fazia a rota Rio-Paris. Com o início da análise, os investigadores deverão ter rapidamente um panorama geral dos motivos da queda do avião. Um estudo mais detalhado dos dados das caixas-pretas e também de outras peças do avião resgatadas nesta quinta fase de buscas, levará, no entanto, meses. O BEA prevê divulgar um novo relatório, o último, sobre o acidente com o voo AF 447 no final deste ano ou no início de 2012. Todo o processo de abertura e transcrição das caixas-pretas será filmado. As análises serão acompanhadas por técnicos brasileiros, americanos e britânicos, informou o governo francês no início deste mês. As duas caixas-pretas – a que grava os dados do voo e contém os parâmetros técnicos como altitude, velocidade e trajetória do avião, e a que grava as conversas dos pilotos e qualquer outro som emitido na cabine, como alarmes – foram encontradas no início deste mês.
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