Rio de Janeiro, 20 de Setembro de 2026

Resultado das eleições é sinal de alerta para líderes europeus

Terça, 15 de Junho de 2004 às 06:22, por: CdB

Líderes da Europa têm pela frente a difícil tarefa de criar a primeira Constituição da União Européia (UE) esta semana, depois que as eleições para o Parlamento Europeu revelaram uma grande indiferença em relação ao bloco, a vontade de os eleitores punirem os partidos atualmente no governo e o aumento do apoio aos partidos chamados 'eurocéticos' - grupo de políticos contrários à adesão à UE.

A credibilidade dos 25 líderes da Europa estará em jogo nesta quinta e sexta-feiras, quando eles tentarão superar as profundas diferenças que fizeram naufragar a primeira tentativa de acordo sobre a nova Carta do bloco, em dezembro passado.

Com a contagem quase completa na maior eleição transnacional da História, que terminou no domingo, a escala do desencanto público ficou tremendamente clara - num índice de abstenção recorde e nas derrotas humilhantes para a maior parte dos governos da UE.

O presidente da França, Jacques Chirac, prometeu continuidade de seu governo, resistindo à pressão por mudança do opositor partido socialista, que derrotou seu UMP nas eleições européias.

- O governo deve e continuará sua tarefa - disse Chirac, acrescentando que as reformas econômicas impopulares continuarão.

Mais cedo, o Partido Socialista exortou Chirac a demitir o premier Jean-Pierre Raffarin e fazer mudanças políticas. Pesquisas de opinião mostraram que metade dos eleitores franceses pensa que Raffarin deve sair.

Os líderes da UE também devem escolher um sucessor para o presidente da Comissão Européia, Romando Prodi, durante a reunião. Mas eles não têm um nome comum e podem ter que adiar a decisão até julho.

E, mesmo se entrarem em acordo sobre uma Constituição, o enorme voto de protesto contra o Partido Trabalhista do primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Tony Blair, e o avanço dos eurocéticos em Polônia, República Tcheca e Suécia, despertou dúvidas sobre se a Constituição será ratificada algum dia.

A Grã-Bretanha luta para preservar o poder de veto em áreas-chave, enquanto a Polônia - maior país do grupo de 10 novos membros - resiste a mudar o sistema de votação, o que diminuiria seu poder.

Cerca de 45,5% dos cerca de 350 milhões de eleitores europeus foi às urnas no quarto dia da votação - menor índice de comparecimento desde que as eleições diretas para o Parlamento Europeu começaram em 1979.

Os dados mais impressionantes foram da participação dos 10 novos países-membros, em sua maior parte países da antiga Cortina de Ferro, de cerca de 26%. A Comissão Européia argumentou que o principal motivo para a abstenção é o fato de o Parlamento Europeu ter muito pouco poder. Para alguns, o baixo índice de comparecimento pode manchar a legitimidade do órgão.

Os britânicos puniram Blair por sua participação na guerra do Iraque, enquanto os partidos governantes em França, Alemanha e Polônia foram punidos por suas políticas econômicas, pelo desemprego e pelas reformas sociais.

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