Iraque, Afeganistão, Palestina e Colômbia são alguns dos locais do mundo para os quais os organizadores do Fórum Social Mundial prevêem destaque na sexta edição do evento, que começa nesta terça-feira, na capital venezuelana. Um ato público "contra a guerra e o império" está marcado para a abertura do fórum, e, entre os seis eixos temáticos propostos para as atividades deste ano, o terceiro deles, Estratégias Imperiais e Resistências dos Povos, deve ser o principal, segundo afirmaram nesta segunda-feira os ativistas Nalu Faria, da Marcha Mundial de Mulheres, e o cientista social venezuelano Edgardo Lander, em coletiva à imprensa.
Os organizadores do fórum definem as estratégias imperiais a partir da idéia de um "neoliberalismo de guerra" e de uma "guerra de civilizações como nova estratégia de expansão imperial". O império, no caso, são, principalmente, os Estados Unidos, hoje a maior economia e a maior potência militar do mundo. Mas não apenas.
Nessa explicação sobre o terceiro eixo temático do fórum, no caderno de programação, também se fala na "mercantilização da vida e seus instrumentos jurídico-institucionais: livre-comércio, dívida externa, instituições financeiras internacionais, OMC, Alca e TLCs, corporações multinacionais", além da falência do sistema de governança internacional, como as Nações Unidas.
- Entendemos que não será possível conseguir um outro mundo possível se não combatermos o que são as políticas imperialistas de guerra, de concentração da riqueza, de controle da nossa biodiversidade, de toda essa expansão do mercado - disse Nalu Faria.
Dentro do contexto específico relativo ao império dos Estados Unidos, os organizadores destacam a possível vinda a Caracas da norte-americana Cindy Sheehan, que se tornou famosa por seus protestos contra o atual conflito no Iraque, apos ter perdido o filho que foi enviado à guerra. Os anfitriões do 6º Fórum Social Mundial também se apresentam como exemplo. Na coletiva, Lander lembrou que o evento representa uma possibilidade para os participantes de compreensão sobre as "ameaças que o império representa para a Venezuela e para o mundo".
O governo venezuelano acusa reiteradamente os Estados Unidos de apoiarem grupos de oposição, inclusive por ocasião de um golpe de Estado contra o presidente Hugo Chávez, em 2001. Recentemente, os EUA também têm vetado a venda de equipamentos militares brasileiros e espanhóis ao país. Os norte-americanos alegam que o equilíbrio militar na região poderia ser afetado. Para evitar a venda, utilizam-se cláusulas contratuais: por exemplo, se uma empresa vender para um cliente não-aceito pelos EUA um avião que tenha um determinado componente de fabricação norte-americana, como o motor, o fornecimento dessas peças poderá ser interrompido.
Chávez, apoiado por Brasil e Espanha, se defende dizendo que os aviões e helicópteros, entre outros produtos pleiteados, servirão para atividades como a fiscalização de fronteiras e o combate ao narcotráfico e a tentativas de infiltração da guerrilha colombiana no território venezuelano. O principal aliado dos norte-americanos na região, o presidente Álvaro Uribe, da Colômbia, já reconheceu publicamente que os equipamentos solicitados pela Venezuela não têm finalidade de aumentar o poder ofensivo do país. Mesmo assim, o veto norte-americano tem sido mantido. A economia solidária, o não-pagamento da dívida e o controle sobre recursos naturais como a água são outros temas que, segundo os organizadores, também deverão ter destaque durante o fórum.