O resgate de títulos compensou a alta dos juros e fez a dívida pública federal cair 3,39% no mês passado. Segundo relatório divulgado nesta quarta-feira pelo Tesouro Nacional, o estoque da dívida passou de R$ 1,343 trilhão em junho para R$ 1,297 em julho.
A principal responsável pela queda foi a dívida mobiliária (em títulos) interna, que encerrou julho em R$ 1,204 trilhão, redução de R$ 42,9 bilhões. Segundo o Tesouro,a diminuição foi provocada principalmente pelo resgate líquido de R$ 57,5 bilhões em títulos federais.
Esse volume de resgate impediu que os juros pressionassem a dívida para cima, mesmo com as recentes elevações da taxa Selic, que mede os juros básicos da economia. De acordo com o relatório, a apropriação de juros somou R$ 14,6 bilhões, quase quatro vezes menos que os resgates líquidos.
A dívida pública externa fechou julho em R$ 71,9 bilhões, R$ 21,6 bilhões (2,7%) a menos que os R$ 93,5 bilhões registrados em junho. A valorização de 1,59% do real em relação ao dólar no mês passado e o resgate antecipado de títulos emitidos no exterior foram os principais responsáveis pela queda.
Apesar da queda no estoque, os reajustes nos juros básicos da economia afetaram a estratégia do governo de aumentar a oferta de títulos prefixados, favoráveis ao Tesouro porque permitem à equipe econômica prever exatamente quanto vai gastar para administrar a dívida. A parcela de papéis prefixados na dívida mobiliária caiu de 34,77% em junho para 30,88% em julho.
Em contrapartida, a proporção de títulos vinculados à taxa Selic aumentou de 37,32% para 39,66% no mesmo período, reflexo das altas de juros. As altas na inflação no primeiro semestre também atraíram o interesse dos investidores nos papéis vinculados a índices de preços, cuja fatia na dívida em títulos aumentou de 27,9% para 29,47%.
Esses percentuais levam em conta as operações de swap cambial reverso, procedimento realizado pelo Banco Central com o objetivo de conter a queda do dólar.