Rio de Janeiro, 14 de Maio de 2026

Resgate de submarino russo inicia fase decisiva

Sábado, 06 de Agosto de 2005 às 07:06, por: CdB

A operação de resgate dos sete tripulantes do batiscafo militar russo AS-28 preso a 190 metros de profundidade no oceano Pacífico entrou, neste sábado, em sua fase decisiva, pois as reservas de ar diminuem a cada hora que passa.

O comandante-em-chefe da Frota russa do Pacífico, o almirante Víctor Fiódorov, anunciou que nas próximas horas se tentará explodir as ancoras da antena de vigilância entre cujos cabos está preso o batiscafo.

Fiódorov disse que por esse meio se busca libertar o submergível encalhado desde quinta-feira nas águas da baía de Beriózovaya, a cerca de 75 quilômetros ao sul do porto Petro-Pávlovsk de Kamchatka, no extremo oriente do país.

Segundo o almirante, o sistema de ancoragem da antena de vigilância costeira tem 60 toneladas.

- Foi tomada a decisão de explodir as ancoras para que todo o sistema (batiscafo, cabos e antena) suba à uma profundidade que permita o trabalho de mergulhadores - disse o almirante Fiódorov.

Durante a última noite, os navios de resgate conseguiram arrastar o batiscafo cerca de cem metros em direção a uma zona menos profunda.

O porta-voz da Marinha russa, o capitão Igor Digalo, declarou hoje que na última sessão de comunicação, por meio de sinais acústicos, os tripulantes do batiscafo informaram que estão bem.

Segundo os cálculos dos especialistas, no batiscafo há ar para um período de entre 12 e 18 horas.

- A operação de resgate deve acabar hoje, pois a reservas de ar não são ilimitadas - admitiu o almirante Vladímir Pepeliáyev, chefe adjunto do Estado Maior da Marinha russa.

Pepeliáyev disse que nas próximas horas está previsto que chegue a ajuda britânica e americana à baía de Beriózovskaya.

A bordo do batiscafo AS-28, a temperatura é de apenas 5 graus centígrados, mas seus tripulantes estão com roupas térmicas.

O ministro da Defesa russo, Serguei Ivanov, voou hoje para Petro-Pavloksk de Kamchatka, após uma reunião no Kremlin com o presidente da Rússia, Vladimir Putin.

Desse encontro, participaram também o primeiro-ministro Mikhail Fradkov e os responsáveis de Interior, Rashid Nurgalíev, e Segurança, Nikolai Patrushev.

Para esta tarde, espera-se a chegada à zona do naufrágio de três aparelhos submergíveis automáticos Scorpio, que foram transportados a Petro-Pavloksk de Kamchatka em aviões das forças aéreas da Grã-Bretanha e dos Estados Unidos, países aos quais Moscou solicitou ajuda.

A Marinha russa conta com quatro batiscafos como o AS-28, de 13 metros de comprimento e 5,7 metros de altura, que foram desenhados para resgatar as tripulações dos submarinos de guerra.

Este tipo de batiscafos foi utilizado sem êxito nos trabalhos de resgate do submarino nuclear "Kursk", que afundou em 12 de agosto de 2000 no mar de Barents, matando 118 tripulantes.

Uma deformação na escotilha do "Kursk" impediu o acoplamento do batiscafo de resgate.

O jornal Kommersant denunciou hoje que os comandantes da Marinha ocultaram durante quase 24 horas o naufrágio do batiscafo.

- Só quando a situação, como ocorreu com o submarino nuclear 'Kursk', ficou crítica os militares admitiram a avaria e pediram ajuda - ressaltou o diário.

O AS-28 entrou em serviço em 1989, tem uma autonomia de navegação de 21 milhas náuticas (pouco mais de 38 quilômetros), pode se submergir até 1.000 metros de profundidade e se manter em estado de imersão por até 120 horas.

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