Por W. Bastos 01/07/2011 às 19:03
Resenha do obra Maçã Agreste, do romancista pernambucano Raimundo Carrero, lançada pela Editora José Olympio.
Maçã Agreste, sétimo livro do escritor pernambucano Raimundo Carrero, publicado pela Editora José Olympio em 1989, divide-se em: prólogo, primeira, segunda e terceira partes, seguidas de um epílogo.
O prólogo (intitulado Sacrifício) é um tanto obscuro e mostra uma seita que tem como lema: Deus, Pátria e Família. Ludibriando os fiéis com pregações fanáticas, ela favorece o nacionalismo e o militarismo, ao mesmo tempo que, por trás de uma fachada moralista, esconde depravações dos pastores.
Na chamada Primeira Parte (Anverso) a narrativa é mais dinâmica e avança em velocidade crescente e caótica ? desnorteando e, simultaneamente, seduzindo o leitor com a curiosidade de onde o levará tal texto tão pouco usual.
Começam a ser narrados, no segmento seguinte (História), acontecimentos que a princípio parecem nada ter a ver com o resto do romance. Porém com o tempo se nota que esta parte relata as origens do personagem principal e é importante para a compreensão do texto.
Em Reverso (a terceira parte), o escrito retoma a forma da Anverso: rápida e enlouquecedora. Aí o leitor toma consciência da lógica na aparente desordem.
No epílogo, que assim como o prólogo se intitula Sacrifício, volta-se a falar da seita do início. O círculo se fecha.
Uma maçã de pecados, desejos e sacrifício, onde Anverso e Reverso giram em torno do pedúnculo que é História, unindo início e fim. Fruto do talento e da extrema competência literária de um dos melhores escritores brasileiros vivos, não há como resistir ao enigma e à tentação de ler Maçã Agreste.
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