As quatro repúblicas separatistas do espaço pós-soviético, Abkházia, Ossétia do Sul, Cisdniéster e Nagorno Karabakh, querem seguir os passos de Montenegro, que rompeu laços com a Sérvia em um plebiscito que optou pela independência.
A independência das quatro repúblicas foi proclamada durante o período de anarquia após a queda da União Soviética (1991). As quatro pretendem transformar o plebiscito montenegrino num "instrumento universal" de solução de conflitos separatistas.
- Montenegro é um exemplo de como se pode conseguir a secessão via plebiscito - declarou Serguei Shamba, o chefe da diplomacia da república separatista georgiana da Abkházia, vizinha da Rússia.
O presidente russo, Vladimir Putin, apoiou abertamente a iniciativa de "universalizar" o plebiscito na cúpula com a União Européia, semana passada.
A UE e os Estados Unidos rejeitam uma solução militar para estes conflitos. Mas também não reconheceriam como legítimo um plebiscito de independência nos quatro territórios, considerados autênticos paraísos para o crime organizado.
Os EUA têm na Geórgia seu principal aliado no Cáucaso e têm grandes interesses energéticos na região. O objetivo americano é levar o assunto à cúpula do G8 - grupo dos sete países mais industrializados do mundo, mais a Rússia - que será realizada dia 15 de julho, em São Petersburgo.
A Rússia, porém, vê com reservas o debate.
As autoridades do Nagorno (Alto) Karabakh, enclave armênio em território azerbaidjano, que enfrenta o Azerbaidjão e a Armênia desde 1988, pedem à comunidade internacional que aplique no seu caso o mesmo critério que em Montenegro.
- Dada a disposição da comunidade internacional de reconhecer a independência de Montenegro e Kosovo, a República do Karabakh tem pleno direito a sua independência como Estado - disse Bagram Atanesian, membro da Assembléia Nacional do Karabakh.
Três das repúblicas separatistas querem entrar para a Federação Russa. Elas romperam laços com Geórgia, Azerbaidjão e Moldávia após cruentas guerras civis em meados dos anos 90. Naquele período, contaram com apoio militar e financeiro russo direto ou indireto.
Com exceção de Karabakh, todas ainda contam em seu território com tropas russas.
No caso das repúblicas georgianas, Abkházia e Ossétia do Sul, toda a população já recebeu a nacionalidade russa e utiliza o rublo.
O processo é uma "anexação subterrânea", segundo a Geórgia.
O presidente georgiano, Mikhail Saakashvili, reclama que o Kremlin defende a autodeterminação destas repúblicas, mas nega o mesmo direito à Chechênia.
As autoridades da região moldávia de Cisdniéster, na margem oriental do rio Dniester, na fronteira com a Ucrânia, já anunciaram sua intenção de realizar um plebiscito com o "apoio da Rússia".
- A Rússia pode desempenhar o papel de fiador do plebiscito de Cisdniéster. A atual Presidência russa do Conselho da Europa abre ainda mais possibilidades para isso - disse um comunicado enviado pelas autoridades da república ao presidente russo.
Cisdniéster abandonou em 7 de março as negociações para a solução do conflito devido ao "bloqueio econômico" da Moldávia e da Ucrânia, que acusam as autoridades separatistas de contrabando.
Apesar das advertências do Conselho da Europa e da Otan, a Geórgia não descarta a opção militar para a solução dos conflitos com a Ossétia do Sul e a Abkházia.
O país deve investir este ano US$ 13,6 milhões a mais na Defesa, chegando a US$ 218 milhões (US$ 175 milhões a mais que em 2003).
Numa ameaça velada de opção militar, o Azerbaidjão anunciou no ano passado um aumento do orçamento militar de 76%. Geórgia, Moldávia e Azerbaidjão avisaram que não negociarão nem reconhecerão um plebiscito para a secessão das repúblicas rebeldes.
Repúblicas separatistas seguem exemplo de Montenegro
As quatro repúblicas separatistas do espaço pós-soviético, Abkházia, Ossétia do Sul, Cisdniéster e Nagorno Karabakh, querem seguir os passos de Montenegro, que rompeu laços com a Sérvia em um plebiscito que optou pela independência. (Leia Mais)
Terça, 30 de Maio de 2006 às 04:54, por: CdB