Repressão na Síria enfurece os árabes, mas governos silenciam
DUBAI (Reuters) - Os árabes reagiram fortemente nesta segunda-feira à morte de dezenas de pessoas pelo Exército da Síria, na cidade síria de Hama, mas a maioria dos governos árabes se manteve em silêncio, aparentemente temendo o poder dos movimentos de protesto que se espalharam pela região este ano.
"Não é mais possível entender o silêncio dos estados e organizações árabes e islâmicos diante dos massacres contra os sírios", escreveu o colunista saudita Hussein Shobokshi, no diário saudita panarábico Asharq al-Awsat.
Ativistas em defesa dos direitos humanos disseram que 80 civis foram mortos na investida militar de domingo, apoiada por tanques, na cidade localizada no centro da Síria. O pai do presidente Bashar al-Assad, Hafez, coibiu em Hama, há 29 anos, uma revolta armada do grupo Irmandade Muçulmana, matando milhares de pessoas.
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, liderou a condenação do Ocidente ao ataque, mas praticamente não há desejo de intervir, como as potências ocidentais fizeram na Líbia, onde bombardeios da Otan em apoio aos rebeldes fracassaram e não conseguiram desalojar do poder o líder líbio, Muammar Gaddafi.
Nações árabes pouco disseram sobre a Síria, embora em um comentário raro o ministro de Relações Exteriores do Egito, Mohamed Kamel Amr, tenha dito que seu país está "muito perturbado com o aumento do nível de violência e o número de vítimas", segundo a agência estatal egípcia de notícias Mena.
O dirigente da Tunísia Zine al-Abidine Ben Ali fugiu para a Arábia Saudita em janeiro, durante um levante popular contra a pobreza, corrupção e repressão. Três semanas depois, os egípcios forçaram a saída do poder do presidente Hosni Mubarak, que era apoiado pelos EUA e a Arábia Saudita.
Depois disso, manifestações foram reprimidas no Barein, bloqueadas no Iêmen, onde o presidente Ali Abdullah Saleh ainda se agarra ao poder, e neutralizadas, com promessas de mudanças feitas pelo governo, em países como Marrocos, Jordânia e Omã.
A Síria passou a se destacar à medida que a repressão governamental aos protestos se tornou cada vez mais brutal. Os parceiros de Assad observam com inquietação. O Catar, que apoiou a ação da Otan na Líbia, fechou sua embaixada em Damasco duas semanas atrás, por temer um ataque por causa da cobertura da TV Al Jazeera, que tem sede no país.
Em um comunicado divulgado pela agência Mena, o líder da Liga Árabe, Nabil Elaraby, fez um chamado aos estados árabes nesta segunda-feira para responderem às "demandas legítimas de seus povos" e "respeitarem os direitos humanos",mas não mencionou a Síria.
Reuters