Rio de Janeiro, 01 de Outubro de 2026

Repartição de recursos do FMI não agrada países emergentes

Domingo, 26 de Abril de 2009 às 07:07, por: CdB

O Fundo Monetário Internacional vai distribuir US$ 250 bilhões nos próximos seis meses para fortalecer as reservas dos países-membros, segundo o decidido neste sábado  pelo Comitê Monetário e Financeiro Internacional,  órgão executivo do FMI.

Cada país receberá recursos de acordo com sua cota de participação no FMI. Com isso, os países desenvolvidos ficarão com aproximadamente 60% dos US$ 250 bilhões.

Apesar de apoiarem a distribuição, Brasil e Argentina, em nome de diversas nações da América Latina, se queixaram na reunião do IMFC por causa de tal desigualdade.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, pediu uma segunda distribuição de recursos especificamente para os países em desenvolvimento.

Já o ministro coordenador de Política Econômica do Equador, Diego Borja, disse que "se há injeção de recursos e não há mudança de direção, não nos serve".

A divisão dos recursos, que será feita em Direitos Especiais de Saque, foi decidida na cúpula presidencial do G20, no último dia 2 em Londres.

A distribuição dos US$ 250 bilhões será realizada antes da Assembleia Anual, que acontecerá em outubro na Turquia, de acordo com o comunicado divulgado pelo comitê ao fim de sua reunião semestral.

Nesse sentido, durante a reunião do IMFC, vários países em desenvolvimento solicitaram que a partilha desse valor ocorra de maneira ágil.

O SDR é uma moeda virtual criada pelo Fundo, que administra um pequeno mercado no qual os governos a trocam por divisas reais.

A última vez em que o organismo fez uma distribuição similar foi em 1981, segundo fontes da entidade.

O IMFC também estudou a proposta elaborada pela gerência do FMI para a emissão de um bônus para se financiar, algo que foi proposto pelo G20 em sua cúpula presidencial.

O diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, explicou que os bancos centrais poderão adquirir o bônus, que usará o SDR como moeda e oferecerá a rentabilidade média da dívida em curto prazo em dólares, euros, libras esterlinas e ienes, situada agora em 0,46% por ano.

Brasil, China, Rússia e Índia estão interessados em canalizar aportes adicionais aos cofres do FMI através desse futuro bônus, declarou Mantega, que se reuniu esta semana em Washington com seus colegas desses países. O ministro não disse quais são os valores.

O Brasil e esses países rejeitaram, no entanto, a proposta elaborada pela gerência do Fundo para que o futuro título seja direcionado ao longo prazo. 

O FMI nunca emitiu bônus, embora essa possibilidade esteja contemplada em suas normas desde sua fundação, em 1944.

Os países emergentes reivindicam mais influência no órgão e têm o receio de que, caso suas contribuições à entidade se concretizem, perderão uma importante medida de pressão para exigir uma reforma do sistema de votação do organismo, que pretende elevar seus recursos até US$ 750 bilhões.

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