Rio de Janeiro, 29 de Outubro de 2026

Renúncia no BCE alerta para sinais de agravamento da crise capitalista

O principal índice das ações europeias fechou em forte queda nesta sexta-feira, por preocupações de que o pacote de US$ 447 bilhões do presidente norte-americano, Barack Obama, enfrente obstáculos no Congresso. O mercado também se ressentiu da saída de uma importante autoridade do Banco Central Europeu (BCE), que sinalizou uma divisão dentro do BCE.

Sexta, 09 de Setembro de 2011 às 10:53, por: CdB
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O principal índice das ações europeias fechou em forte queda nesta sexta-feira, por preocupações de que o pacote de US$ 447 bilhões do presidente norte-americano, Barack Obama, enfrente obstáculos no Congresso. O mercado também se ressentiu da saída de uma importante autoridade do Banco Central Europeu (BCE), que sinalizou uma divisão dentro do BCE. Juergen Stark, integrante do conselho executivo do Banco Central Europeu (BCE), renunciou ao cargo por causa de divergências sobre o programa de compra de bônus conduzido pela autoridade monetária, afirmaram duas fontes à agência inglesa de notícias Reuters, nesta sexta-feira. O BCE confirmou a saída da Stark, o segundo alemão a deixar o banco neste ano. Axel Weber, presidente do banco central alemão, já havia saído em fevereiro também por causa de sua oposição ao programa de compra de bônus. Segundo o BCE, Stark renunciou por razões pessoais, mas duas fontes afirmaram à Reuters que a saída está relacionada à compra de títulos públicos feitas pela autoridade monetária, que vem ajudando Itália e Espanha desde o mês passado. Em resposta à renúncia, o euro e as bolsas europeias caíram. A saída de Stark é um profundo golpe para o BCE, cujo presidente, Jean-Claude Trichet, encerra o mandato no final de outubro. Trichet será substituído por Mario Draghi, cujo país natal, a Itália, tem sido atacada pelos mercados. – Isso é importante. Stark tem a mesma visão sobre a compra de bônus que Axel Weber, e o atual presidente do Bundesbank. É uma posição que todos os alemães têm. É um sinal dos enormes problemas dentro do banco central. Os alemães claramente têm um problema com a direção do BCE – disse Manfred Neumann, professor emérito de economia da Universidade de Bonn e orientador da tese do presidente do BC alemão, Jens Wiedmann. Stark e Weidmann, junto com outros 2 dos 23 membros do conselho diretor do BCE, opuseram-se à retomada das compras de bônus pelo BCE no mês passado. O BCE reativou o programa de compra após uma pausa de 19 semanas para ajudar a reduzir os juros para Itália e Espanha. A preocupação do BCE, contudo, é de que ao comprar os bônus soberanos da Itália --terceira maior economia da zona do euro-- o banco só esteja encorajando o governo italiano a diminuir os esforços para sanear as contas públicas. Stark, de 63 anos, era desde 2006 membro do conselho executivo do BCE junto com outros cinco integrantes. Seu mandato no cargo terminaria em 31 de maio de 2014. Em queda O FTSEurofirst 300 caiu 2,5%, para 916 pontos, segundo dados preliminares. O índice Thomson Reuters para países periféricos da zona do euro caiu 5,9%. A saída do membro do conselho executivo do BCE Juergen Stark, devido a desacordos com a política do banco de comprar títulos do governo da zona do euro para combater a crise de dívida do bloco, prejudicou ainda mais o sentimento, num momento em que o papel do BCE é crucial para resolver a crise de dívida. – É difícil ficar otimista com o mercado de ações quando ele enfrenta obstáculos tão consideráveis. O setor bancário continua o algoz do mercado de ações, com os investidores evitando a todo momento o que eles começam a perceber como uma virada da situação – disse o presidente de vendas da Capital Spreads, Angus Campbell. Os bancos, que possuem significativa exposição a países da zona do euro e geralmente sofrem durante um ambiente econômico de dificuldades, foram os mais golpeados por preocupações de que os formuladores de política monetária não estejam fazendo o suficiente para evitar que as principais economias voltem à recessão. O índice do setor bancário europeu caiu 4,9%. Os papéis do banco francês Société Générale despencaram 10,6%. Em Londres, o índice Financial Times fechou em baixa de 2,35%, a 5.214 pontos. Em Frankfurt, o índice DAX caiu 4,04%, para 5.189 pontos. Em Paris, o índice CAC-40 perdeu 3,6%, a 2.974 pontos. Em Milão, o índice Ftse/Mib teve desvalorização de 4,93%, para 14.020 pontos. Em Madri, o índice Ibex-35 retrocedeu 4,44%, a 7.910 pontos. E em Lisboa, o índice PSI20 encerrou em queda de 2,5%, para 6.048 pontos.
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