Rio de Janeiro, 13 de Agosto de 2026

Renúncia de Taylor traz esperança de paz aos liberianos

Segunda, 11 de Agosto de 2003 às 07:25, por: CdB

"Portão para a Economia da Libéria", diz o cartaz na entrada do Porto Livre da Monróvia.    

Dentro dele, soldados rebeldes retiraram os móveis de escritório de um dos últimos contêineres este final de semana, parando apenas para discutir com os jornalistas que barravam sua ação.

Caixas vazias de biscoitos de alta proteína, leite francês e montanhas de farinha ocupavam o chão em frente aos depósitos saqueados do Programa Mundial de Alimentos (PMA). Um corpo boiava na água.

Este porto destruído, um prêmio estratégico de valor inigualável para os rebeldes que o mantêm agora, pode ou ser o portão da Libéria para mais mortes ou o portal para sua paz, após 14 anos de guerras civis.

O teste virá nesta segunda-feira, quando o presidente Charles G. Taylor prometeu deixar o cargo e suas ações podem representar um momento de mudança na situação dos liberianos, se eles terão um novo início ou continuarão a fugir das balas perdidas.

No último domingo, em um discurso de despedida, exibido no mundo todo, Taylor chamou os rebeldes de uma "força substituta" dos EUA e culpou os americanos por sua deposição. "Essa é uma guerra americana contra a República", afirmou. "Eles podem reunir seus cães agora".

A Embaixada dos EUA não comentou o discurso. O grupo rebelde que controla o porto, Liberianos Unidos para a Reconciliação e Democracia, tem o apoio de Guiné, que em troca recebe milhões de dólares por ano em ajuda militar dos EUA.

Mas enquanto os liberianos avaliam este precipício histórico, eles enfrentam um abismo de perguntas sem respostas: quando Taylor deixará a Libéria, como seus inimigos rebeldes exigem; e se os rebeldes irão ceder o controle do porto, como os diplomatas dos EUA exigem.

Há uma dúvida se o impasse militar causará mais confrontos, ou se as forças de paz africanas podem prevenir isso.

"Vemos esta segunda-feira com grandes expectativas de mudança", afirmou Stanley Bedell, morador do lado da cidade mantido pelos rebeldes. "Estamos mais otimistas que pessimistas".

No último domingo, na capital dividida, o retrato de terror continuou dos dois lados. Garotos armados, alguns ainda crianças, ainda invadiam lojas e casas e as roubavam, levando pequenas latas de leite a celulares.

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