Renúncia de presidente do BC da Índia surpreende investidores
Rajan, ex-economista do Fundo Monetário Internacional (FMI), era popular entre investidores estrangeiros por seus esforços para controlar a inflação na Índia
Rajan, ex-economista do Fundo Monetário Internacional (FMI), era popular entre investidores estrangeiros por seus esforços para controlar a inflação na Índia
Por Redação, com Reuters e Carta Capital - de Nova Délhi
A renúncia do presidente do Banco Central da Índia, Raghuram Rajan, que enfrentou críticas de membros do partido de situação por manter taxas de juros muito altas, surpreendeu autoridades neste sábado. Rajan deixa o cargo antes do fim de seu mandato, em 4 de setembro.
Rajan, ex-economista do Fundo Monetário Internacional (FMI), era popular entre investidores estrangeiros por seus esforços para controlar a inflação e ganhou prestígio por ajudar a salvar a Índia de sua pior crise de câmbio em mais de duas décadas após assumir em setembro de 2013.
Mas em uma carta à equipe ele disse que planeja retornar à academia, mesmo que duas de suas ações - a criação de um comitê de política monetária para determinar taxas de juros e uma limpeza do setor bancário - permaneceram não concluídas. Embora festejado por investidores, Rajan enfrentou fortes críticas de membros do partido de direita do primeiro-ministro Narendra Modi.
Índia, em crescimento
Países continentais entre os cinco mais populosos do mundo, o Brasil e a Índia ocupavam posições próximas em 2014 no ranking de Produto Interno Bruto (PIB) elaborado pelo Banco Mundial. O PIB brasileiro, de US$ 2,35 trilhões, estava em sétimo lugar e o indiano, de US$ 2,05 trilhões, na nona posição.
Na favela de Dharavi, em Mumbai, na Índia, com 1,2 milhões de habitantes, apenas 1% dos barracos tem banheiro
Transcorridos dois anos, houve uma mudança substancial. A Índia, economia de maior crescimento no mundo em 2015, com uma expansão de 7,5% e previsão de alcançar a mesma taxa neste ano, ultrapassará o Brasil, com variação negativa de 3,8% em 2015 e projeção de um novo recuo neste ano, de 3,73%.
O colapso das cotações do petróleo explica parte das mudanças de desempenho. Na Índia, o preço baixo estimulou a atividade econômica, melhorou as contas do governo, reduziu a vulnerabilidade externa e contribuiu para baixar a inflação, segundo o Fundo Monetário Internacional.
Na favela de Dharavi, em Mumbai, uma das maiores do mundo, com 1,2 milhão de habitantes, o equivalente a 55% da população da cidade, somente 1% das habitações tem banheiro. Ao menos um bom exemplo o Brasil teve a oferecer. A experiência do Bolsa Família foi debatida na Índia, que decidiu adotar um programa semelhante de transferências financeiras, noticiaram jornais de Nova Délhi.
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