As forças militares da Turquia e o primeiro-ministro Tayyip Erdogan travam uma nova prova de força. Na noite desta sexta-feira (29/07), quatro dos mais altos comandantes do país renunciaram em conjunto. Deste modo, manifestam seu protesto pela prisão de 250 oficiais, acusados de conspiração contra o governo em Ancara.
Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: Premiê Erdogan durante as eleições de junho
O general Isik Kosaner fora designado chefe do Estado-Maior das Forças Armadas turcas há apenas um ano. Em seu comunicado de despedida aos "irmãos de armas", ele alegou não ser mais possível permanecer no posto, já que ele era incapaz de defender os diretos dos homens presos em consequência do que classificou como um processo jurídico falho.
Embora sem mencionar seus motivos, o gabinete de Erdogan informou que renunciaram, além de Kosaner, também os supremos comandantes do Exército, Marinha e Aeronáutica.
Operação "Marreta"
A Turquia possui o segundo maior contingente militar entre os países da Organização do Tratado do Atlântico Norte. Suas poderosas Forças Armadas se consideram defensoras do legado secular do fundador da nação Mustafa Kemal Atatürk, e nos últimos 50 anos derrubaram vários governos.
Por meio de uma série de reformas, o premiê Erdogan pôs fim a essa dominância. Uma de suas metas é, assim, melhorar as chances de o país ser admitido na União Europeia. As relações entre os militares e o AKP, partido islâmico-conservador do chefe de governo, são tensas, desde a primeira vitória eleitoral deste, em 2002. Nas eleições parlamentares de junho último, o AKP voltou a ganhar pela terceira vez, angariando 50% dos votos.
A desvantagem dos generais tornou-se inegável quando, no ano passado, a polícia começou a prender oficiais em massa. Eles são acusados de, em 2003, haver discutido um golpe militar contra o regime de Erdogan, durante um seminário militar, sob o codinome "Marreta". Os oficiais rebatem as acusações como sendo forjadas: segundo eles, tratava-se meramente de jogos de estratégia militar.
Chance para o partido do premiê
Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: Turquia tem 2º maior contigente da Otan
Na próxima segunda-feira, o Supremo Conselho Militar terá uma reunião de rotina, voltada a decisões importantes de pessoal. Segundo o gabinete em Ancara, a conferência transcorrerá como planejado. Supõe-se que Erdogan pretenda ocupar rapidamente os postos que ficaram subitamente vagos. Segundo observadores, agora o primeiro-ministro turco terá a chance de instalar no alto escalão oficiais mais favoráveis a seu partido.
Atualmente, encontram-se encarcerados 42 generais ativos – quase 10% de todos comandantes militares do país. Segundo a imprensa nacional, na sexta-feira um promotor público haveria impetrado mandado de prisão contra 22 outros militares, entre os quais, altos comandantes. O jurista em questão está investigando mais um suposto complô contra o chefe de governo.
Aparentemente, essas novas prisões teriam sido o motivo da renúncia de Kosaner. Nos últimos dias, o general tivera vários encontros com Erdogan, visando uma solução do conflito antes da reunião de segunda-feira.
AV/rtr/dapd/afp
Revisão: Bettina Riffel