Depois de sete anos consecutivos de queda, o rendimento do trabalhador brasileiro ficou estável em 2004. A interrupção da queda, no entanto, não foi suficiente para a recuperação das perdas, que já somam 18,8% desde 1996. Naquele ano, o salário médio mensal era de R$ 903,00 e hoje é de R$ 730,00. As informações constam da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios - 2004 (PNAD), divulgada nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O estudo mostra que a partir de 1996 a estabilidade econômica fez com que os trabalhadores com salários mais baixos tivessem ganhos reais superiores aos que tinham rendimentos maiores. De 2003 para 2004, os 50% de pessoas ocupadas com as menores remunerações de trabalho tiveram ganho real de 3,2%, enquanto os 50% com os maiores rendimentos apresentaram perda real de 0,6%.
Em 2004, 27,6% dos trabalhadores ganhavam até um salário mínimo, enquanto 0,9% recebia mais de 20 salários mínimos. Regionalmente, os menores salários estavam concentrados no Nordeste e a região sul tinha os menores percentuais de concentração. As mulheres continuam com salários mais baixos do que os homens. Em 2004, elas ganhavam 69,5% do que recebiam os homens. A diferença é maior entre aqueles que trabalham por conta própria (65,1%) e menor entre os empregadores (89,2%).
Mais telefones
O número de casas que possuem apenas linha de telefone móvel cresceu 51,4% de 2003 para 2004 no país, segundo dados do IBGE. O aumento foi o maior já registrado em um ano desde 2001, quando se iniciou uma medição separada das linhas móvel e fixa. De 2002 para 2003, o crescimento havia sido de 31,6% e de 2001 a 2002, de 15,6%.
"Esses resultados podem ser um indicativo do uso desse tipo de linha, importante para a comunicação fora da moradia, para suprir a falta de linha fixa ou como uma alternativa mais flexível de comunicação", diz o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no estudo.
No caso da linha fixa de telefone, houve uma queda no ano passado, uma tendência que já vinha sendo observada. O percentual de moradias com linha de telefone convencional diminuiu de 50,8% (2003) para 49,6% (2004), segundo os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad). A pesquisa mostrou ainda que a disseminação do celular "também foi expressiva nos domicílios em que existia linha convencional fixa". Segundo o IBGE, os dois tipos de telefone foram encontrados em 23,2% das casas em 2001 e no ano passado esse índice passou para 31,8%.
No caso dos outros serviços, como esgoto, abastecimento de água, coleta de lixo e eletricidade também registrou-se ampliação no país, apesar de o telefone ter sido o que mais cresceu no ano passado. De 2003 a 2004, o número de casas com esgoto sanitário adequado subiu 3,5%. Segundo a Pnad, em 2004 o percentual de moradias que dispunha desse serviço era de 69,6%.
No que se refere ao abastecimento de água, o crescimento no número de moradias atendidas por rede geral foi de 3,4%. A iluminação elétrica continua sendo o serviço com mais cobertura no país e a taxa de crescimento de 2003 para 2004 foi de 2,9%. "Em cinco anos, o percentual de habitações sem iluminação elétrica reduziu-se à metade, tendo passado de 5,2%, em 1999, para 2,6%, em 2004", disse o IBGE.
Esgotos de menos
Em 31% dos lares brasileiros não existe esgoto sanitário, apesar de a oferta do serviço estar crescendo. De 2003 para 2004 a oferta cresceu 3,5%, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 2004 (PNAD-2004). A região norte foi a maior beneficiada, seguida por Nordeste e Centro-Oeste. O abastecimento de água aumentou 3,4% de 2003 para 2004 e o serviço de coleta de lixo, 2,7% no mesmo período. Em 1999 em 20% das residências não havia coleta de lixo e, em cinco anos, a parcela caiu para 14,2%.
O serviço de iluminação elétrica continuou sendo o de maior cobertura. De 2003 para