O rendimento médio mensal do trabalhador brasileiro cresceu 7,2% de 2005 para 2006, mas ainda não se recuperou das perdas dos últimos dez anos, mostrou a Pesquisa Nacional de Amostras por Domicílio (Pnad) divulgada nesta sexta-feira.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), responsável pela pesquisa, o rendimento médio real em 2006 foi de R$ 888, ainda abaixo do valor máximo registrado em 1996, de R$ 975.
- O aumento real do salário mínimo nos últimos anos está impactando o rendimento do trabalhador, principalmente a renda das classes mais baixas - afirmou a economista do IBGE Márcia Quinstlr.
A economista destacou que também contribuíram a expansão do emprego do trabalhador com carteira assinada (de 33,1% da população ocupada para 33,8%) e a redução da informalidade (de 51,8% do total em 2005 para 50,4% em 2006).
O rendimento na região Sudeste aumentou entre 6,6% de um ano para outro (a R$ 1.027), enquanto na região Nordeste o avanço foi de 12,1%.
De acordo com a pesquisa, os 50% mais pobres tiveram um ganho de rendimento superior aos 50% mais ricos. A renda média da metade mais pobre foi de R$ 293 ante R$ 257 em 2006.
O índice de Gini, uma medida da desigualdade, passou de 0,547 em 2004 para 0,544 em 2005 e 0,541 em 2006 (o menor desde 1981). Quanto mais próximo de zero, menor é a concentração de renda de um país.
- O que percebemos é que o Gini continua caindo, só que de forma suave. É um movimento suave de desconcentração - disse Quinstlr.