A renda agrícola nacional, que leva em consideração o valor bruto dos 20 principais produtos agrícolas, deve ser de R$ 156,7 bilhões em 2008, cerca de 17% a mais que no ano passado.
Os números, divulgados nesta terça-feira, foram calculados pela Assessoria de Gestão Estratégica do Ministério da Agricultura e, como quase todas as culturas já foram colhidas, a estimativa não deve sofrer grandes alterações.
O maior crescimento deve ser alcançado pela Região Centro-Oeste, onde a renda agrícola deve passar de R$ 28 bilhões para R$ 39,4 bilhões, um aumento de 40,6%.
Para chegar ao resultado final, os técnicos multiplicam o volume da produção da safra pelo preço recebido pelos produtores nas principais regiões produtoras do país.
O valor real, descontada a inflação, é obtido pelo Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI), da Fundação Getulio Vargas (FGV). Segundo nota divulgada pelo ministério, "o valor de desempenho da agricultura é o sinalizador do comportamento e tendência das commodities no mercado".
Além do destaque para o Centro-Oeste, as regiões Sul, Sudeste e Nordeste apresentaram crescimentos de 8,2%, 4,7% e 4,8%, respectivamente. A Região Norte foi a única com queda na renda, de 12,9%, mesmo com aumento de 13,1% na produção de grãos. Isso porque, para que haja aumento da renda, também é fundamental que os preços dos produtos não caiam.
Por conta do aumento de produção e do preço, sete produtos tiveram aumentos de renda expressivos: feijão (89,4%), cebola (54,8%), café (48,1%), trigo (44,3%), milho (32,2%), soja (31,3%) e amendoim (33,6%). Segundo o ministério, produtos como o algodão, a cana-de-acúcar, a pimenta-do-reino, o tomate e a uva devem sofrer forte queda, devido à diminuição da produção, dos preços ou de ambos.
A Região Sudeste segue liderando o ranking de renda agrícola com R$ 49 bilhões, seguida pela Região Sul com R$ 43,5 bilhões. O Nordeste aparece com R$ 17,6 bilhões e o Norte com R$ 5,8 bilhões.
Se a tendência de crescimento se mantiver, entretanto, é possível que, no próximo ano, haja mudança de posições no ranking da renda agrícola, influenciada, principalmente, pela produção de soja no Mato Grosso.