Rio de Janeiro, 31 de Março de 2026

Renan revê decisão e quer abrir processos contra senadores

Quarta, 23 de Agosto de 2006 às 10:20, por: CdB

Presidente do Senado, Renan Calheiros anunciou nesta quarta-feira que, em 24 horas, irá conhecer a posição dos dois vice-presidentes e dos quatro secretários da Mesa Diretora do Senado a respeito da instauração ou não de processo por quebra de decoro parlamentar contra os senadores Ney Suassuna (PMDB-PB), Serys Slhessarenko (PT-MT) e Magno Malta (PL-ES). Eles foram citados pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito dos Sanguessugas por envolvimento na máfia das ambulâncias

Após a decisão do Conselho Ética e Decoro Parlamentar de devolver à Mesa os processos contra os três senadores, Renan comunicou que encaminhará ofício aos integrantes da Mesa, solicitando manifestação por escrito a respeito da decisão que a Mesa deve assumir em relação aos senadores. Ao chegar no Senado, pela manhã, Renan declarou que havia mandado os processo ao Conselho em forma de denúncia porque desejava queimar etapas.

Conselho de Ética

Na abertura da reunião do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar desta quarta-feira, o senador Demóstenes Torres (PFL-PB) apresentou parecer solicitando que a Mesa do Senado reenvie ao colegiado o processo da senadora Serys Slhessarenko (PT-MT) - a senadora foi citada no relatório da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito dos Sanguessugas por indícios de envolvimento na máfia das ambulâncias -, na forma de representação e não no formato de denúncia, conforme havia decidido, em nome da Mesa, o presidente Renan Calheiros na última terça-feira.

Na prática, Demóstenes Torres defende a imediata investigação, pelo Conselho de Ética, de quebra de decoro parlamentar, o que pode resultar em cassação de mandato. O senador rechaça, portanto, a chamada investigação preliminar defendida pela Mesa do Senado. A seu ver, tal procedimento atrasaria todo o desenrolar das apurações. O parecer de Demóstenes Torres - de cinco páginas - serviu de base para que os membros do Conselho de Ética decidissem incluir na mesma situação os processos dos senadores Magno Malta (PL-ES) e Ney Suassuna (PMDB-PB), também acusados de tomar parte da máfia da ambulâncias. A decisão da Mesa deverá ser feita por no mínimo quatro senadores membros.

- Caso a minha solicitação não seja acolhida pela Mesa do Senado irei ingressar junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que julgue a procedência de minha solicitação - ameaçou Demóstenes Torres.

Para Demóstenes, os fatos imputados à senadora Serys, apurados pela CPI Mista dos Sanguessugas, "são extremamente graves e indicam necessidade premente de instauração de processo disciplinar". A senadora foi acusada pelo empresário Luiz Antônio Trevisan Vedoin, um dos sócios da Planam - empresa que superfaturava os preços das ambulâncias - de usar o seu genro, Paulo Roberto, para receber propina no valor de R$ 35 mil.

Para Demóstenes, portanto, não cabe investigação preliminar no caso da senadora Serys, já que, observou, os fatos estão comprovados por fartas investigações da CPI dos Sanguessugas, Polícia Federal e Ministério Público. Demóstenes Torres, entretanto, admitiu que no desenrolar dos trabalhos do Conselho de Ética, o colegiado poderá ouvir, como é de seu desejo, o empresário Vedoin e o genro da senadora. Disse também, em entrevista á imprensa, que poderá pedir a quebra do sigilo bancário da senadora e do genro dela.

Outro ângulo

Já o presidente do Conselho de Ética do Senado, João Alberto Souza (PMDB-MA), mencionou pela primeira vez que a senadora Serys Slhessarenko (PT) deverá ter seu processo arquivado.

- Não aceito a palavra do Vedoin como prova porque ele é um bandido. Somente o depoimento do Vedoin não é suficiente para abertura de processo - disse João Alberto. Ele se comprometeu a decidir, até quinta-feira da próxima semana, se abre ou não processo contra os três senadores.

Segundo depoimento de Vedoin, a senadora Serys teria embolsado R$ 35 mil, em dinheiro vivo, entregues a seu genro Pau

Tags:
Edições digital e impressa