Apesar dos apelos do governo e dos aliados, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), continua resistindo à pressão para deixar o cargo. Ele não aceita discutir nem a renúncia nem uma licença temporária. Um dia depois de ser absolvido pelo plenário, disse a aliados que sente-se fortalecido pelo resultado. Diante de sua resistência, aliados como Roseana Sarney (PMDB-MA) tentam articular uma saída alternativa. Querem que ele tire férias de pelo menos duas semanas. Seria uma maneira de desanuviar o clima no Senado. Até a noite da última quinta-feira, o peemedebista descartava até mesmo essa idéia.
A defesa do afastamento de Renan é quase uma unanimidade. A idéia agrada ao Palácio do Planalto, que gostaria de ver o Senado pacificado antes da votação da emenda constitucional que prorroga a CPMF. Também atrai os aliados de Renan, cansados do desgaste de fazer sua defesa diária.
- Vou sugerir que ele tire férias, até por uma questão humanitária - diz a líder do governo no Congresso, senadora Roseana Sarney (PMDB-MA).
- Minha opinião é que ele deveria se licenciar, mas esse é um direito dele - diz Aloizio Mercadante (PT-SP).
O problema é que ninguém convence o presidente do Senado. Em conversas reservadas, ele diz que qualquer afastamento criaria um vácuo político a ser aproveitado por seus adversários. Credita boa parte de sua vitória ao fato de ter se mantido no comando do Congresso. Avalia que o cargo lhe dá força política e garante a interlocução permanente com o Palácio do Planalto.
Na última quinta-feira, quando ele chegou ao Senado, um repórter perguntou se a palavra licença poderia entrar em seu vocabulário. Renan respondeu irritado. “Pode sim. Dê licença que eu quero passar”. E seguiu em frente. Mais cedo, em uma entrevista à Rádio Gaúcha, de Porto Alegre, já tinha sido enfático. “Não pensei sobre isso (licença), absolutamente”. Para ele, a absolvição em plenário foi uma espécie de reeleição. “Não deixa de ser uma renovação da confiança da Casa em seu presidente”.
Contabilizando a seu favor os 40 votos pela absolvição e as seis abstenções, diz ter o apoio de 46 senadores. Diz que seu próprio voto foi uma abstenção.
- Fui eleito com 51 votos. Depois de 100 dias de uma campanha absurda contra mim na mídia só perdi cinco votos. Se eu não tiver condições de presidir o Senado, quem é que vai ter nesse quadro de absoluta divisão? - questionou.