Rio de Janeiro, 17 de Abril de 2026

Renan espera que Bastos deponha apenas na Câmara

Terça, 18 de Abril de 2006 às 10:25, por: CdB

Presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) acredita que o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, deverá depor apenas na Câmara sobre o episódio da quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa. O Senado, disse Calheiros, ainda não votou o requerimento do PSDB que pedia a convocação de Bastos. A Câmara havia marcado para esta terça-feira o depoimento de Bastos, mas o ministro preferiu depor somente nesta quinta-feira, diante do fato de que não havia um entendimento sobre a agenda com o Senado.

- O Senado não votou o requerimento. Mas a Câmara se antecipou. A Câmara marcou antecipadamente sem ouvir o Senado - disse Renan a jornalistas.

Em caso de não haver entendimento para a realização de uma sessão conjunta, Renan prefere dispensar o depoimento de Bastos no Senado.

- A gente nunca sabe se vai ser preciso ter repique. Sinceramente, espero que não seja necessário ouvi-lo duas vezes - afirmou.

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Roberto Busato também espera que Bastos consiga explicar os fatos em seu depoimento ao Congresso.

- Espero que ele consiga ser transparente diante dos fatos - disse.

Busato acrescentou que Bastos não poderia, como ministro, assessorar juridicamente o ex-ministro Antonio Palocci.

- Ele está incompatibilizado com a advocacia. Nesse aspecto, o assunto se torna mais grave. Seria o exercício irregular da profissão, da qual está impedido de fazê-lo.

Uma reportagem publicada na revista Veja desta semana acusa Bastos de ter se reunido com Palocci no dia 23 de março para intermediar uma reunião entre Palocci e o advogado Arnaldo Malheiros. O objetivo seria articular uma estratégia para encobrir a responsabilidade do ex-ministro no episódio. Bastos nega qualquer estratégia nesse sentido. O nome de Bastos foi envolvido no episódio de quebra do sigilo bancário após a confirmação da presença do Secretário de Direito Econômico, Daniel Goldberg, na casa do ex-ministro Antonio Palocci na noite do dia 16 de março.

O ex-presidente da Caixa Econômica Federal Jorge Mattoso disse ter entregue neste dia o extrato bancário para Palocci. No dia seguinte, os dados da movimentação bancária de Francenildo foram publicados pelo blog da revista Época.

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