Presidente licenciado do Senado, Renan Calheiros anunciou o seu afastamento do cargo na tarde de quinta-feira. Em reunião com a bancada governista na Casa, durante a tarde, o senador alagoano cedeu às pressões para se afastar do cargo enquanto responde aos processos que pesam contra ele no Conselho de Ética. Logo após o encontro, o senador Romero Jucá (PMDB-RR), líder do governo, ficou com a tarefa de tentar uma série de acordos com a oposição para que mantenha o mandato, uma vez fora do cargo ocupado até o início da noite.
O discurso de Renan durou apenas apenas três minutos.
- Na noite de hoje decidi me licenciar da Presidência do senado, por 45 dias - afirmou.
As articulações para que Renan se afastasse da direção do Senado se intensificaram na noite desta quarta, quando se reuniu com os senadores Jucá e José Sarney (PMDB-AP) em sua residência oficial. Dos aliados, Renan ouviu o conselho para seguir a vontade da bancada e, com isso, evitar um novo julgamento no atual ambiente predominante junto à maioria dos colegas. Uma possível cassação do mandato, para Renan, significaria também a perda dos direitos políticos e o conseqüente afastamento da vida política por sete anos.
- Reafirmo que enfrentarei os processos, como fiz até agora, à luz do dia - continuou
Observadores da cena política atestaram, no final da tarde, que a palavra final para que o senador acusado de quebra de decoro parlamentar partiu do próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Lula teria se convencido da necessidade de afastamento do aliado após ouvir de Jucá e de outros senadores petista que a presença dele no cargo seria uma ameaça à aprovação da emenda que prorroga a CPMF até 2011.
Com o afastamento de Renan Calheiros, assume a presidência o vice-presidente da Casa, senador Tião Viana (PT-AC).
O discurso, na íntegra
"Hoje, decidi licenciar-me da presidência do Senado Federal por um prazo de 45 dias para demonstrar de forma cabal e respeitosa à Nação e a todos os senadores que não precisaria do cargo de presidente do Senado para me defender. Agindo assim, afasto de uma vez por todas o mais recente e injusto pretexto usado para tentar dar corpo à inconsistência das representações enviadas sem qualquer indício ou prova ao Conselho de Ética.
Com este meu gesto unilateral, preservo a harmonia do Senado e deixo claro o meu respeito com os interesses do País e homenageio as altas responsabilidades das funções que exerço contribuindo, decisivamente, para evitar a repetição dos constrangimentos ocorridos na seção de 9 de outubro.
Reafirmo que enfrentarei os processos, como fiz até agora, à luz do dia, com dignidade, sem subterfúgios. Não lancei mão das prerrogativas de presidente do Senado em meu benefício ou contra quem quer que seja. A minha trincheira de luta sempre foi a inflexível certeza da inocência, a qual estou convicto que prevalecerá com a verdade, como aconteceu na minha absolvição. O poder é transitório, enquanto a honra é um bem permanente que não sacrifico em nome de nada.
Resistirei firme na minha defesa, honrando a confiança da minha família, do povo de Alagoas, dos meus amigos, dos meus colegas do Senado e daqueles que, mesmo sem me conhecer, com seu apoio, suas mensagens e suas orações, me deram força até agora. A estes certamente, não decepcionarei. Aguardarei, serenamente, que a justiça e a verdade prevaleçam."