O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), se defendeu das denúncias de que teria influenciado a elaboração do parecer da Consultoria Jurídica sobre a votação do relatório do processo por quebra de decoro parlamentar que tramita no Conselho de Ética. A suspeita foi levantada após o pedido de demissão do secretário-geral adjunto da Mesa Diretora, Marcos Santi, que alegou que estava se sentindo pressionado no caso. Segundo Renan, o caso foi mais um "equívoco" da mídia, porque ele nunca permitiu que se "utilizasse a máquina para beneficiar ninguém", muito menos ele, o presidente da Casa.
Indagado sobre a saída de Santi, o presidente do Senado respondeu que "simplesmente não conheço esse Marcos Evandro [Santi]". E aproveitou para ler um trecho do ofício administrativo assinado pelo secretário-geral adjunto sobre sua saída.
— Esclareço por oportuno que em momento algum não concedi qualquer entrevista a veículo de comunicação, o que pode ser comprovado com as formas mais desencontradas com que os diferentes órgãos de comunicação têm divulgado o assunto —, registrou Renan, lendo o texto de Santi.
Renan ressaltou que "quem conhece seu perfil" sabe que ele jamais permitiria esse tipo de pressão.
— Os senadores sabem —, afirmou.
O presidente do Senado ainda ressaltou que Santi não estava com nenhuma demanda no caso e que não pediu parecer a ninguém. Na noite de terça-feira, Santi pediu afastamento do cargo, alegando ter sofrido pressões, principalmente depois que o senador Almeida Lima (PMDB-SE) divulgou informações do relatório da Consultoria Legislativa da Casa, segundo o qual a votação do processo deve ser fechada.
O senador Demóstenes Torres (DEM-GO) participou de uma reunião onde estavam presentes os relatores Marisa Serrano (PSDB-MS) e Renato Casagrande (PSB-ES), além do secretário-geral adjunto, Marcos Santi. Segundo Torres, Santi disse que não sofreu pressão direta, mas que se sentiu coagido pelo andamento do processo, uma vez que começou a perceber que a consultoria jurídica foi chamada a produzir peças que não se coadunam com o trabalho do órgão.
— O primeiro jabuti colocado em cima da árvore foi quando Renan mandou ad referendum a representação do P-SOL ao Conselho de Ética —, disse em referência à tramitação do processo, que, depois, precisou voltar à Mesa Diretora, como determina o regimento interno.
Renan diz que desconhece funcionário e que nunca permitiu uso político da máquina pública
Quarta, 29 de Agosto de 2007 às 18:33, por: CdB