Alheio à ameaça da oposição de obstruir as votações enquanto ele estiver na presidência do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) enviou aos líderes partidários um telex desafiador. Convocou as bancadas para votar, na terça-feira, a indicação de autoridades nomeadas por Lula para cargos de relevo no governo. PSDB e DEM receberam o gesto como uma declaração de guerra. E vão ao plenário dispostos a bloquear as votações.
São dois os nomes mais vistosos da lista que Renan deseja aprovar: Paulo Lacerda, indicado por Lula para a direção da Abin (Agência Brasileira de inteligência); e Luiz Antônio Pagot, nomeado para a direção-geral do DNIT (Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transportes). Para aprová-los, os governistas terão de arrastar para o plenário pelo menos 41 dos 81 senadores.
Será o primeiro grande embate entre o exército de um Renan recém-absolvido e a tropa do Senado que deseja inviabilizar a sua presidência, empurrando-o para a renúncia ao comando da Casa. Na semana passada, tucanos e parlamentares avulsos de outras quatro legendas (PMDB, PSB, PDT e PSOL) informaram que, sob Renan, o Senado não deliberaria.
Em telefonemas trocados na noite passada, José Agripino Maia (RN), líder do DEM, e Arthur Virgílio (AM), líder do PSDB, puseram-se de acordo em relação a um ponto: ou inviabilizam a aprovação dos nomes de Lacerda e Pagot ou darão a Renan munição para continuar atirando na cara da oposição a tese de que tem, sim, autoridade para devolver o Senado à normalidade legislativa.
A oposição pretende lançar mão de todas as armas protelatórias que encontrarem à disposição no paiol do regimento do Sendo. Vão arrastar os debates ao limite da exaustão. Por exemplo: na hora de analisar a indicação de Paulo Lacerda, abrirão uma discussão acerca do papel institucional da Abin, sucessora do velho SNI (Serviço Nacional de Informação). Vencida essa primeira fase, apresentarão um requerimento propondo o adiamento da votação.
Renan pode aceitar ou rejeitar o requerimento. Mas não poderá esquivar-se de submeter a debate também a proposta de adiamento. Esgotada a temporada do palanfrório, a oposição exigirá que seja verificado o quorum da sessão. É nessa que o embate atingirá o seu ápice. Tucanos e "demos´ prometem abandonar o plenário. E os governistas terão de fazer soar a ordem unida, provando que têm número para deliberar.
Um detalhe injeta emoção neste primeiro cabo-de-guerra do Senado. Luiz Antônio Pagot, nomeado para o DNIT por indicação de Blairo Maggi (PP), governador de Mato Grosso, vai manusear a chave de um cofre que guarda algo como R$ 12 bilhões. É dinheiro destinado principalmente à reparação de asfalto e abertura de novas estradas. Parte da verba está pendurada em emendas que foram injetadas no orçamento por emendas de parlamentares. Muitos deles da oposição, especialmente do DEM.
Ao convocar a votação, Renan joga com a idéia de que os líderes que desejam apeá-lo da cadeira de presidente do Senado não serão capazes de obter nem mesmo a unidade de suas bancadas. Ao final da tarde desta terça-feira, o país será informado do resultado da batalha. Se conseguir entregar ao governo a aprovação dos nomes indicados por Lula, Renan terá empurrado seus adversários para uma guerra. Não será a última batalha. Mas restará demonstrado que a oposição vai à guerra armada apenas de gogó. Um artefato barulhento, mas ineficaz no combate às baterias do governo.
Renan desafia oposição e intima o Senado a votar
Alheio à ameaça da oposição de obstruir as votações enquanto ele estiver na presidência do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) enviou aos líderes partidários um telex desafiador. Convocou as bancadas para votar, na terça-feira, a indicação de autoridades nomeadas por Lula para cargos de relevo no governo. (Leia Mais)
Terça, 18 de Setembro de 2007 às 09:57, por: CdB