O plenário do Senado absolveu nesta terça-feira o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) da acusação de ter usado "laranjas" para comprar veículos de comunicação em Alagoas. Assim, ele pode continuar exercendo o mandato de senador. Houve 48 votos contra a cassação, 29 a favor e três abstenções.
Renan Calheiros, que renunciou ao cargo de presidente da Casa antes do julgamento, foi absolvido em plenário pela segunda vez em menos de três meses. Na primeira, em setembro, era acusado de ter usado dinheiro de um lobista para pagar contas pessoais.
Ao chegar nesta terça-feira ao Senado, Renan Calheiros reafirmou sua inocência e disse, mais uma vez, que a verdade iria prevalecer. Na tentativa de garantir sua absolvição, ele apresentou a carta de renúncia ao cargo de presidente logo no início da sessão.
A sucessão de Renan Calheiros preocupa senadores da base do governo e da oposição porque acontecerá próxima à votação da emenda que prorroga a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF).
A idéia é votar a CPMF na terça-feira da próxima semana, um dia antes da eleição do novo presidente do Senado.
Apesar de ter sido absolvido em plenário, Renan Calheiros não está livre dos processos de perda de mandato no Senado. O Conselho de Ética analisa outras duas representações contra ele: a que investiga a participação num esquema de espionagem de inimigos políticos e a que investiga envolvimento em corrupção em ministérios comandados pelo PMDB. As duas aguardam definição de relator.
Em discurso, Renan acusa usineiro de ressentimento político
Em seu discurso de defesa no plenário do Senado, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), absolvido do processo de cassação pelo suposto uso de "laranjas" em empresas de comunicação, disse que a renúncia da presidência da Casa "foi um gesto para que não fosse julgado aqui o presidente do Senado, mas o senador".
Renan Calheiros lembrou o primeiro processo, quando foi absolvido da acusação de ter recebido dinheiro de um lobista para pagar contas pessoais.
— Nesta representação, assim como na anterior inexiste prova ou indício de quebra de decoro parlamentar. A improcedência das acusações é evidente. Não deixa dúvidas —, afirmou.
Num discurso de 14 páginas, Renan Calheiros defendeu-se da acusação de ter usado “laranjas” para comprar veículos de comunicação em Alagoas em parceria com o usineiro João Lyra.
Renan acusou o usineiro de carregar o "estigma do ressentimento implacável de um inimigo político derrotado por mais de 350 mil votos para o governo de Alagoas", disse ao lembrar que nessa eleição, apoiou o concorrente de Lyra, o ex-senador e atual governador do estado, Teotonio Vilela Filho (PSDB).
— Sou falsamente acusado por João Lyra de ter mantido com ele sociedade oculta em um jornal falido e em 25% de uma pequena rádio deficitária —, disse.
Segundo Renan, todo o processo se resume a uma "briga paroquial, local".
— Não há nenhum documento que, direta ou indiretamente, envolva o meu nome nesses negócios. Não existe em nenhum contrato o meu nome. Tudo é uma invencionice —, afirmou.
— A pena que se propõe é de morte política. Cívica. Uma violência sem tamanho. Não desejo esse sofrimento a ninguém, nem mesmo ao João Lyra —, acrescentou.
Renan Calheiros ainda rebateu a acusação do contador José Amilton que, em depoimento ao senador Jefferson Peres (PDT), relator do processo de cassação, disse que "todo mundo sabia" da sociedade entre Renan e João Lyra.
— O depoimento foi um fiasco. Ele disse, na ocasião, que todo mundo sabia da minha fantasiosa sociedade com João Lyra, mas não conseguiu lembrar de um único nome que pudesse confirmar essa sociedade —, afirmou.
Ao pedir que os senadores votem contra o relatório do senador Jefferson Peres, Renan Calheiros lembrou que, caso seja cassado, ficará inelegível por 15 anos.
— Eu estaria banido da vida públic
Renan Calheiros é absolvido pela segunda vez
Terça, 04 de Dezembro de 2007 às 19:04, por: CdB