O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), criticou nesta quinta-feira a quebra dos sigilos de dois telefones de jornalistas da "Folha de S.Paulo" feita pela Polícia Federal para investigar o episódio da compra do dossiê da máfia dos sanguessugas contra políticos do PSDB. Para Renan, isso pode representar uma "afronta" à liberdade de imprensa no país.
- Toda vez que houve afronta à liberdade de imprensa e expressão, o Brasil pagou um grande preço -, disse.
O líder da minoria na Câmara, José Carlos Aleluia (PFL-BA), avisou nesta quinta que entrará com representações contra a quebra do sigilo telefônico do jornal. Segundo Aleluia, a primeira representação será no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) contra o juiz Marcos Alves Tavares, que autorizou a quebra dos sigilos, e a segunda no Ministério Público contra o delegado Diógenes Curado, da Polícia Federal de Cuiabá, responsável pelas investigações.
- O CNJ existe para controlar questões disciplinares da Justiça. Vou pedir abertura de processo porque o juiz foi negligente ao quebrar o sigilo de um órgão de imprensa. É um absurdo. E vou pedir também processo contra o delegado por ter desrespeitado a lei de imprensa- , explicou Aleluia que pretende, ainda, entregar uma outra representação na corregedoria da PF contra o delegado Curado.
A área de inteligência da PF achou necessário pedir a quebra dos sigilos desses números por ter encontrado grande quantidade de ligações em horários muito diferentes para Gedimar Passos.
O diretor da PF, Paulo Lacerda, disse nesta quinta que a polícia não sabia a identidade dos mais de 800 sigilos telefônicos quebrados, dentre os quais duas linhas de telefone do jornal. Segundo ele, a polícia também quebrou o sigilo de ministérios e ramais da Presidência da República, mas teve a sensibilidade de não seguir adiante nas investigações quando descobriu que o sigilo quebrado era de um jornalista.
Renan Calheiros critica quebra de sigilos telefônicos de jornal
Quinta, 09 de Novembro de 2006 às 16:04, por: CdB