O grupo JR Radiodifusão, que tem o filho do presidente do Senado Renan Calheiros como um dos sócios, obteve a concessão da rádio Murici FM sem a necessidade de votação em plenário. A matéria foi aprovada no começo do último mês de julho, quando o presidente do Senado já era processado no Conselho de Ética por quebra de decoro parlamentar. As informações são do Jornal da Globo.
A nova rádio funcionará em Murici (AL), cidade em que Renan Calheiros Filho é o prefeito. Segundo a reportagem, em documentos da junta comercial de Alagoas, ele figura também como sócio do grupo de comunicação Costa Dourada, proprietário das rádios Correio AM e CBN FM de Maceió. O quadro societário da empresa tem ainda José Queiros de Oliveira e Ildefonso Tito Uchoa, primo do presidente do Senado.
O grupo JR, ainda de acordo com a emissora, recebeu a concessão de quatro rádios em Alagoas. Duas delas ainda dependem de aprovação no Congresso: as FMs dos municípios de Água Branca e Joaquim Gomes. Já a Murici FM e a Porto Real FM já foram aprovadas.
Na última quarta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse em Manágua, capital da Nicarágua que está na hora de as investigações sobre as denúncias envolvendo o presidente do Senado chegarem ao fim.
- Esse caso não pode ficar a vida inteira dependendo dos discursos políticos, ou seja, em algum momento vai ter que decidir. O Senado julga, a Polícia Federal investiga ou a Suprema Corte julga, porque tudo tem que ter um começo, um meio e um fim. Eu acho que está chegando a hora de ter um fim, na medida em que se faça as investigações corretas.
Renan está sendo investigado pelo Conselho de Ética do Senado por supostamente ter utilizado recursos da empresa Mendes Júnior, via lobista, para pagar despesas pessoais, como pensão alimentícia e aluguel à jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha fora do casamento. A representação foi feita pelo PSOL. Outras representações foram protocoladas na Mesa Diretora da Casa.
Apesar de sugerir o fim do caso, o presidente preferiu não determinar um fim para que o Senado conclua as investigações sobre Renan.
- Quem sou eu para determinar qual o tempo que o Congresso vai ter que ter. O máximo que eu faço é decidir a minha agenda e decidir as coisas do Poder Executivo - afirmou.
O presidente demonstrou preocupação com a possibilidade de as investigações sobre Renan prejudicarem as votações no Congresso Nacional.
- O que eu quero é que o que está acontecendo no Senado não prejudique as necessidades do Brasil, que precisa ter as coisas votadas urgentemente, porque muitos projetos importantes dependem de leis a serem aprovadas na Câmara e no Senado - afirmou.
Telefonema
Renan confirmou que recebeu um telefonema de Lula na última terça-feira à noite. Segundo o senador, o presidente telefonou para se explicar sobre a afirmação de que irá intervir caso as investigações sobre o senador paralisem as votações no Congresso. Segundo Renan, Lula não adotaria a postura de cobrança sobre o Senado Federal.
- Ele é meu amigo. E ele não iria cobrar nada do Senado Federal. Ele chefia um Poder, eu chefio outro Poder - disse Renan. O senador afirmou que mantém com o presidente uma relação de amizade acima de qualquer relação político-partidária.
Em Manágua, questionado se Renan teria o apoio do presidente, Lula disse:
- Todo ser humano, todo brasileiro, 190 milhões de brasileiros, inclusive você [jornalista], terá o meu apoio porque todos são inocentes até prova em contrário.
Denúncias
Além da investigação envolvendo a construtora Mendes Júnior, Renan também deverá responder a outro processo no Conselho de Ética. A Mesa Diretora do Senado já encaminhou ao conselho nova representação do PSOL que acusa Renan de ter beneficiado a empresa Schincariol junto ao INSS depois que a empre