Rio de Janeiro, 26 de Janeiro de 2026

Renan articula defesa sobre lobista

A casa do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), aparentava um clima de tranqüilidade neste domingo, após a movimentação deste sábado, quando teve encontros com integrantes de seu partido. Em meio às reuniões, Renan tenta articular a sua defesa, que deve ser apresentada na terça-feira, em um discurso. (Leia Mais)

Domingo, 27 de Maio de 2007 às 10:31, por: CdB

A casa do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), aparentava um clima de tranqüilidade neste domingo, após a movimentação deste sábado, quando teve encontros com integrantes de seu partido. Em meio às reuniões, Renan tenta articular a sua defesa, que deve ser apresentada na terça-feira, em um discurso. 

O objetivo do senador é explicar por que o lobista Cláudio Gontijo, assessor da empreiteira Mendes Júnior, fazia pagamentos de despesas pessoais suas. A informação foi trazida à tona por uma reportagem da revista Veja desta semana. Renan confirmou que o assessor fazia os pagamentos, mas disse que pedia isso a ele para tratar "com descrição" seus assuntos pessoais.
Segundo a revista, o assessor pagaria os gastos da pensão de Renan para a filha dele com a jornalista Monica Veloso. O lobista também pagaria o aluguel de um apartamento em Brasília. O valor dessas despesas chegaria a R$ 16,5 mil mensais.

Dois momentos serão decisivos para Renan nesta semana. Na quarta-feira, integrantes do PMDB vão se reunir para discutir o caso. Devem participar do encontro os senadores Pedro Simon (RS), Valdir Raupp (PMDB-RO) - líder da bancada no senado -, José Sarney (AP) e Romero Jucá (RO). Sarney e Jucá, além de Luiz Otávio (PMDB-PA), conversaram com Renan ontem, em sua residência.

Também na quarta-feira, o Conselho de Ética do Senado terá a primeira reunião do ano, especialmente convocada para discutir o assunto. Até o momento, os senadores têm mantido cautela em relação ao caso e nenhuma representação contra Renan foi apresentada. Porém, o presidente do conselho, Jefferson Péres (PDT-AM), afirmou que será inevitável discutir o assunto.

Alguns parlamentares não afastam a possibilidade de que Renan seja obrigado a se afastar do posto, assim como aconteceu com o senador Jader Barbalho (PMDB-PA), que precisou deixar o cargo para se defender das acusações de fraudes cometidas no Banpará. A permanência de Renan à frente do Congresso, dizem os senadores, dependerá diretamente da capacidade do senador de rebater as acusações que pesam contra ele.

O presidente do Congresso fez questão de telefonar para os 80 senadores para dizer que tem como provar sua inocência. O pronunciamento de Renan deve ser feito na terça-feira, porém, ainda não se sabe se ele fará sua defesa no Plenário do Senado ou se convocará uma entrevista coletiva para apresentar sua versão dos fatos.

Operação Navalha

O nome de Renan também apareceu entre os políticos mais citados nos grampos telefônicos feitos pela Polícia Federal, com autorização da Justiça, nas investigações da Operação Navalha.

O presidente do Senado foi responsável pela indicação ao governo de Alagoas de pessoas presas pela Polícia Federal acusadas de participação em um esquema de fraude de licitações públicas. Publicamente, reconheceu que intercedeu junto ao governo federal para liberar recursos para obras realizadas pela construtora Gautama, centro das investigações da Operação Navalha.

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