Rio de Janeiro, 27 de Setembro de 2026

Remédios cubanos serão produzidos em laboratório dos EUA

Sexta, 16 de Julho de 2004 às 01:53, por: CdB

A CancerVax, empresa de biotecnologia dos Estados Unidos, recebeu, na última quinta-feira, a autorização inédita para furar o embargo econômico a Cuba e fabricar três medicamentos experimentais contra o câncer desenvolvidos em Havana. Como conseqüência, as ações da empresa subiram quase 3% no pregão do dia.

A decisão excepcional, apoiada por vários parlamentares, vai na contramão das recentes restrições impostas pelos EUA a viagens e ao envio de dinheiro de exilados cubanos para a ilha.

A CancerVax, de Carlsbad, Califórnia, disse que a autorização foi concedida pelo Departamento do Tesouro dos EUA. Haverá um período de testes com o medicamento, que, se bem-sucedido, chegará ao mercado. O início da primeira fase de testes com os medicamentos será imediato. A segunda etapa deve começar dentro de seis a nove meses.

As agências reguladoras dos EUA aceitaram abrir uma exceção no embargo, que já dura quatro décadas, por causa da possibilidade de o remédio salvar vidas, disse David Hale, executivo-chefe da CancerVax, que voltou de Havana com o contrato final nesta semana.

- Fizemos uma demonstração muito forte de como essas drogas são importantes para o povo norte-americano e que a política não deve atrapalhar a ajuda às pessoas com câncer - afirmou.
Hale, que passou três anos buscando o acordo, se disse surpreso com o dinamismo da pesquisa médica em Cuba.

- Ficamos muito impressionados com a qualidade e a capacidade dos cientistas cubanos em biotecnologia - disse.

Os três medicamentos combatem o fator de crescimento epidérmico, uma proteína associada ao crescimento desordenado das células em vários tipos de câncer, inclusive de pulmão, mama e cólon. Numa abordagem inovadora, esses remédios induzem o sistema imunológico a criar anticorpos contra a proteína do crescimento.

O laboratório britânico GlaxoSmithKline já adquirira anteriormente licenças para fabricar uma vacina cubana contra a meningite tipo B. Ao que consta, a CancerVax é a primeira empresa dos EUA a conseguir uma licença desse tipo.

O laboratório pagará 6 milhões de dólares a Cuba nos próximos três anos, enquanto os medicamentos são desenvolvidos. O governo estipulou que esses pagamentos sejam feitos em alimentos e remédios, não em dinheiro.

Se a comercialização do medicamento for aprovada nos Estados Unidos, na Europa e no Japão, a empresa, que lançou ações no ano passado, pode pagar até 35 bilhões de dólares. O dinheiro seria dividido entre a estatal Cimab e a canadense YM BioSciences, que licenciou os medicamentos que ainda estão sendo submetidos a testes clínicos em Havana.

A YM disse que manteria os direitos de propriedade científica sobre os medicamentos que estão sendo desenvolvidos, mas não quis especificar os detalhes financeiros do seu acordo com Cuba.
Segundo a CancerVax, o Escritório de Controle de Bens Externos do Departamento do Tesouro aprovou o licenciamento na sexta-feira, após quase dez meses de deliberações. O Departamento disse que pedidos desse tipo são examinados caso a caso e que novas solicitações que possam salvar vidas serão avaliadas com atenção.

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