Os Estados Unidos e a Europa, cujo relacionamento está em crise devido à guerra contra o Iraque e à chamada ``guerra contra o terror'', precisam adotar medidas concretas para garantir que as desavenças não abalem definitivamente a aliança transatlântica, disseram analistas norte-americanos e europeus nesta sexta-feira.
O Conselho de Relações Exteriores, em um novo relatório, criticou o unilateralismo do governo norte-americano e previu que, se a Europa definir sua posição como uma de enfrentamento ao poderio dos EUA, o mundo regressaria para um balanço de forças semelhante ao visto antes da Primeira Guerra Mundial, com os ``mesmos e desastrosos resultados''.
O relatório, assinado por 26 membros de uma força-tarefa liderada pelo ex-secretário de Estado dos EUA Henry Kissinger e pelo ex-secretário do Tesouro do país Lawrence Summers, disse que os aliados precisavam encontrar ``um senso comum de direção''.
``Uma aliança só faz sentido quando seus membros ajustam suas políticas para levar em conta os interesses de seus parceiros. Quando fazem coisas que não fariam se a aliança não existisse'', afirmou o documento. O relatório foi divulgado em um momento no qual os EUA e muitos de seus aliados aumentam a cooperação no Iraque pós-guerra.
Esse, no entanto, não é o caso da Espanha, onde supostos atentados da Al Qaeda na semana passada mataram 202 pessoas em Madri. Os ataques ajudaram a derrubar o governo conservador do país e a eleger os socialistas, que prometeram retirar os soldados espanhóis do território iraquiano.
O fato ``levanta dúvidas sobre a coesão da aliança Atlântica e sobre sua habilidade de combater o terrorismo'', disse Charles Krupchan, diretor do conselho de Estudos Europeus e coordenador do documento.