O relatório preliminar apresentado pela Aeronáutica nesta quinta-feira confirma que o jato Legacy perdeu contato com o Centro Aéreo de Brasília no período da colisão com o avião da Gol em 29 de setembro. O documento, porém, ainda não faz qualquer conclusão sobre a tragédia.
- Sei que existe uma expectativa, mas qualquer conclusão é prematura -, disse o coronel Rufino Antônio Ferreira, que comanda as investigações.
O coronel afirmou que a Aeronática não pretende apontar culpados ao dizer que "a responsabilidade não é o foco da investigação".
- Vamos apontar prevenções ao acidente -, disse.
De acordo com o relatório, não houve qualquer tentativa de contato entre o Legacy e a torre de Brasília entre 15h51 e 16h26 do dia 29. A partir deste último horário, a torre de Brasília tentou chamar o jato por sete vezes até 16h53. Somente neste horário, o jato teria respondido, informando que não havia conseguido entender a informação passada pela torre de Brasília.
Segundo o relatório, o próprio jato começou a fazer contato a partir de 16h48, com 12 chamadas até 16h53. Após esta última chamada, o Legacy tentou falar, em vão, mais sete vezes com a torre, até o momento da colisão com o avião da Gol, às 16h56. O relatório alerta que não houve qualquer problema de comunicação com o Boeing da Gol.
De acordo com o coronel Rufino, os problemas de comunicação entre o jato e a torre de Brasília podem ter ocorrido pelo não funcionamento do transponder (aparelho de radar de comunicação) do Legacy. No entanto, não se pode, por enquanto, afirmar que o aparelho estava desligado.
- Não tenho a certeza de que ele não funcionou. Tenho a certeza de que as chamadas do Legacy não chegaram -, disse Rufino que ainda ressaltou que "o transponder pode ser o problema, mas também pode ser os equipamentos da torre de Brasília. Tudo está sendo analisado".
O relatório confirma que o jato decolou de São José dos Campos e deveria seguir a Brasília a 37 mil pés. De Brasília até um determinado ponto, teria que reduzir a 36 mil, e, em outro ponto, subir a 38 mil. Nada disso foi feito, e o Legacy permaneceu a 37 mil pés após Brasília, colidindo com o avião da Gol, que viajava na mesma altitude.
Segundo o coronel Rufino, não é possível ainda para dizer os motivos que levaram o jato a não pedir autorização para manter a altitude de 37 mil pés ou por que a torre de Brasília não recomendou ao Legacy que mantivesse o plano de vôo original.
- Não posso responder isso ainda. Preciso de mais informações, conversar com os controladores -, explicou.
Relatório preliminar confirma falta de contato entre <i>Legacy</i> e a torre
Quinta, 16 de Novembro de 2006 às 14:16, por: CdB