Um relatório de 88 páginas sobre a atuação do delegado Protógenes Queiroz foi divulgado, nesta quinta-feira, e aponta irregularidades na conduta do servidor federal. Assinado pelo colega dele Amaro Vieira e encaminhado à Justiça, ao Ministério Público e à CPI do Grampo da Câmara dos Deputados, o documento afirma que, na coordenação da Operação Satiagraha, que resultou na prisão duas vezes do banqueiro Daniel Dantas, dono do grupo Oporttunity, Protógenes omitiu informações dos seus superiores.
Ainda segundo o relatório, Queiroz desconheceu a hierarquia do serviço público ao se reportar diretamente ao delegado Paulo Lacerda, apesar de sua transferência da Superintendência da Polícia Federal para a direção-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Da mesma forma, o ex-titular da operação que resultou no mais ruidoso escândalo financeiro da República nos últimos anos, usou da colaboração ilegal de agentes da Abin, tendo alguns deles acesso à degravação de conversas grampeadas com autorização judicial;
O policial federal também contou com o apoio da TV Globo, emissora para a qual divulgou dados sigilosos em troca do apoio para a filmagem de dois comandados do banqueiro Dantas no ato de oferecerem suborno a um delegado da Polícia Federal.
Amaro, em seu relatório, pede o indiciamento de Protógenes por vários crimes e admite que o processo aberto contra Dantas pode estar comprometido pelo modo como as provas foram obtidas.