Rio de Janeiro, 27 de Setembro de 2026

Relatório mostra que indígenas continuam invisíveis na cobertura midiática das eleições 2011

Terça, 12 de Julho de 2011 às 13:02, por: CdB

A aproximação da data das eleições gerais da Guatemala levou a Associação Desenvolvimento, Organização, Serviços e Estudos Socioculturais (Doses) a elaborar um "Informe de Observação de Meios sobre a Cobertura das Eleições 2011”. No primeiro relatório, divulgado ontem (11), a organização analisou a cobertura sobre os indígenas e o Tribunal Supremo Eleitoral (TSE).

O documento foi elaborado com base em observações de notícias de sete jornais impressos, seis televisivos e cinco radiofônicos veiculadas no país entre os dias 1° e 6 de julho. De acordo com o relatório, nesses seis dias, foram publicadas apenas cinco notícias referentes aos candidatos indígenas, todas em veículos impressos.

Para a Associação, isso mostra a falta de visibilidade dada pelos meios de comunicação às questões indígenas. O relatório foi elaborado em um período no qual ainda não se sabia a quantidade de candidatos indígenas postulantes aos cargos políticos e Rigoberta Menchú foi a única candidata indígena que teve espaço nos jornais observados.

"Os indígenas permanecem invisíveis na cobertura do período analisado. As escassas notas se centram ao redor da candidatura de Rigoberta Menchú. Não há informação nem opiniões sobre temas que atentem aos povos indígenas. Os discursos midiáticos não reportam que os candidatos presidenciais abordem políticas que incidam sobre a população maya, garífuna e xinka”, observou.

Por outro lado, a Associação considerou positiva a cobertura dada ao TSE. Conforme o relatório, os jornais analisados veicularam 79 notícias relacionadas ao Tribunal na primeira semana de julho. Dessas, 43 foram em jornais impressos, 20 em noticiários televisivos e 16 em radiofônicos.

De modo geral, a organização fez um balanço positivo da cobertura realizada sobre o TSE. Segundo o relatório, das notícias veiculadas sobre o órgão, 43 foram neutras, 19 positivas e 17 negativas. Além disso, os veículos deram espaços de destaque em diversas ocasiões.

"A cobertura do Tribunal Supremo Eleitoral pode qualificar-se como positiva. Nos meios impressos, ocupa um espaço preferencial. Na televisão e no rádio, se bem que não são tão numerosas como nos meios impressos, [as notícias] têm sido destacadas como titulares do noticiário e, no caso dos meios radiofônicos, mencionam-se como importantes dentro de seus blocos informativos”, concluiu.

Eleições gerais

No próximo dia 11 de setembro, cerca de sete milhões de guatemaltecos e guatemaltecas decidirão os futuros representantes do país. A expectativa do Tribunal Supremo Eleitoral (TSE) é que 7.341.122 eleitores compareçam às urnas nestas eleições, quantidade 22,5% superior a das eleições de 2007, quando o número de votantes chegou a 5.990.029.

Ontem (11), Francisco José García Cuyun, chefe do Departamento de Organizações Políticas do TSE, informou que o Tribunal já recebeu 788 inscrições de candidatos às eleições de setembro. Do total, nove são postulantes à presidência e vice-presidência, nove para deputados por lista nacional, seis para deputados do distrito central, 102 para deputados distritais, oito para deputados do Parlamento Centro-Americano e 654 para corporações municipais.

As inscrições para postulantes a cargos nestas eleições vão até hoje (12). Até agora, disputam a presidência da Guatemala: Adela de Torrebiarte, Eduardo Suger, Harold Caballeros, Juan Gutiérrez, Manuel Baldizón, Mario Estrada, Otto Pérez Molina, Patricia de Arzú e Rigoberta Menchú.

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