Um0 relatório secreto das Forças Armadas dos EUA contém detalhes minuciosos sobre um grande número de prisioneiros torturados no Afeganistão em 2002 por "soldados jovens e mal treinados", afirmou o jornal The New York Times nesta sexta-feira.
Os casos de tortura, entre os quais há os de dois prisioneiros mortos no centro de detenção de Bagram, constam de um relatório de quase 2.000 páginas elaborado por investigadores do Exército, disse o diário.
O Times afirmou ter obtido uma cópia do documento com uma pessoa envolvida na investigação e que estava insatisfeita com os métodos usados em Bragram e com a resposta dos militares às mortes.
O relatório descreve a morte de um taxista de 22 anos conhecido apenas como Dilawar e de um outro detento, Habibullah, que morreu em Bagram seis dias antes, em dezembro de 2002.
Segundo o relatório, Dilawar ficou acorrentado pelos punhos no alto de uma cela por vários dias antes de morrer. As pernas dele foram espancadas pelos guardas da prisão.
- O arquivo apresenta soldados jovens e mal treinados em repetidos incidentes de abuso. O tratamento violento, que levou sete soldados a serem acusados por crimes, não se limitou às duas mortes - escreveu o jornal.
Em depoimentos tomados pelos investigadores do Exército, os soldados descreveram vários casos de tortura: uma militar pisou no pescoço de um detento e chutou um outro nas genitálias, um prisioneiro algemado foi obrigado a beijar as botas de seus interrogadores enquanto rolava no chão, disse o Times.
Um outro prisioneiro foi obrigado a recolher tampas de garrafa de plástico jogadas em um tambor no qual havia uma mistura de excrementos e água.
Oficiais das Forças Armadas dos EUA disseram que os casos de tortura na base de Bagram eram incidentes isolados e que haviam sido totalmente resolvidos, afirmou o jornal.
Segundo o Times, dois interrogadores do Exército foram repreendidos e sete soldados foram acusados formalmente. A publicação acrescentou ainda que a maior parte dos supostos envolvidos nos casos de tortura alegou inocência.