Rio de Janeiro, 14 de Maio de 2026

Relatório do Iraque divide opiniões de potências nucleares

Segunda, 09 de Dezembro de 2002 às 21:38, por: CdB

O calhamaço de 12 mil páginas sobre os programas de armas apresentado pelo Iraque à ONU (Organização das Nações Unidas) causou reações contraditórias entre os membros permanentes do Conselho de Segurança. A Rússia e a China aplaudiram o relatório, entregue no domingo, enquanto os Estados Unidos e a Grã- Bretanha permanecem cautelosos. O Conselho de Segurança abriu o dossiê para seus cinco membros permanentes - China, França, Rússia, Grã-Bretanha e Estados Unidos, mas excluiu a Síria, o que gerou protestos do embaixador do país na ONU, Michael Wehbe. Os peritos em armamentos das Nações Unidas agora têm que digerir o relatório, apesar de funcionários afirmarem que a maior parte dele terá de ser traduzida do árabe, e que o conteúdo terá de ser verificado pelos inspetores no local. Repetição A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) disse que, à primeira vista, o relatório parece repetir a afirmação de Saddam Hussein que seu país não tem um programa nuclear. Em Moscou, o vice-ministro do Exterior russo, Yuri Fedotov, pediu que os Estados Unidos permitam que os inspetores da ONU verifiquem a declaração do Iraque. "A intenção de obedecer a resolução 1.441 do Conselho de Segurança da ONU (sobre o desarmamento do Iraque) mostrada por Bagdá abriu terreno para que o problema iraquiano seja resolvido de maneira político-diplomática", disse Fedotov. A opinião foi repetida pela China, que fez um apelo aos inspetores da ONU para que forneçam "um julgamento justo e objetivo". No entanto, o analista da BBC Barnaby Mason diz que as tradicionais divisões entre as potências mundiais sobre o Iraque estão voltando à tona. Os Estados Unidos insistem que têm provas de que o Iraque possui armas de destruição em massa. "Há ceticismo e medo sobre as intenções do Iraque e sua capacidade", afirmou Ari Fleischer, porta-voz da Casa Branca, nesta segunda-feira. Mentiras O secretário de Exterior da Grã-Bretanha, Jack Straw, disse no domingo que os relatórios anteriores do Iraque eram uma "pá de mentiras". O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, fez um apelo aos países membros para darem aos inspetores chance de avaliarem corretamente o documento. "Eles devem ter o tempo e o espaço necessários para avaliar, e eu espero que todos os países membros compreendam isso", disse Annan. Nesta segunda-feira, os inspetores retomaram suas buscas por locais suspeitos no Iraque. Uma equipe esteve no Centro de Pesquisa Nuclear al-Tuweitha, 20 quilômetros ao sul de Bagdá, pela terceira vez desde que os inspetores voltaram ao país após quatro anos de ausência. O reator Osirak - bombardeado em 1981 por Israel - funcionava nessas instalações. Peritos inspecionaram outra vez um complexo militar próximo à cidade de Fallujah, 90 quilômetros a noroeste de Bagdá, que também já foi seguidamente investigada pela ONU. Trabalho Analistas dizem que a avaliação do relatório da ONU pode custar aos peritos em armas mais de dez dias de análise e tradução. De acordo com o diretor-geral da AIEA, Mohamed El Baradei, o processo de inspeções pode levar até um ano. Acreditava-se que o relatório da ONU seria analisado por peritos e, só então, repassado em forma editada - excluindo trechos perigosos como os detalhes de planos iraquianos para uma bomba nuclear - aos países membros do Conselho de Segurança. O conselho surpreendeu no domingo ao abrir a versão integral do relatório imediatamente aos cinco membros permanentes, que já têm bombas nucleares. A explicação dada pelo Conselho de Segurança foi que membros permanentes têm conhecimento técnico suficiente para avaliar os riscos de divulgação do conteúdo para outros países. O documento, que foi despachado de Bagdá para a sede da ONU em Nova York em um avião das Nações Unidas, foi entregue a Hans Blix, diretor da equipe de inspeção de armas, assim que chegou aos Estados Unidos. Mais 25 inspetores chegaram ao Iraque no domingo. Eles também ganharam o reforço de u

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